Acidente aéreo em Manaus completa um mês com investigações em andamento e famílias cobrando justiça
Acidente aéreo em Manaus completa um mês com investigações em curso

Queda de avião monomotor em Manaus completa um mês com investigações em andamento

O acidente aéreo que resultou na morte de duas pessoas no Aeroclube do Amazonas, localizado na Zona Centro-Sul de Manaus, completa exatamente um mês nesta terça-feira, 21 de abril. O trágico incidente envolveu um avião monomotor modelo Cessna 152, amplamente utilizado para instrução de pilotos, e ocorreu durante um voo de treinamento, mobilizando equipes de resgate e causando profunda comoção na capital amazonense.

Detalhes do acidente e vítimas

O piloto Fernando Lúcio Moreira dos Santos Filho, de 40 anos, e o empresário Ulysses Oliveira de Souza, de 36 anos, perderam a vida no desastre. Fernando, que atuava como diretor do Centro de Instrução de Aviação Civil e coordenador de instrução no aeroclube, faleceu no local do acidente. Ulysses, que estava em fase final de formação como piloto e participava de um voo para obtenção de créditos complementares, foi socorrido com traumatismo craniano e torácico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.

O avião decolou por volta das 9h do dia 21 de março, mas não conseguiu se sustentar no ar após a decolagem, caindo de uma altura aproximada de 30 metros e atingindo uma área de mata ao lado da pista. Testemunhas gravaram vídeos do momento da queda, que foram amplamente divulgados. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foram acionadas imediatamente, enquanto a Polícia Militar isolou a área.

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Investigações e laudos preliminares

O Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos VII (SERIPA VII) informou que as investigações sobre as causas do acidente ainda estão em curso e que a conclusão ocorrerá no menor prazo possível. De acordo com laudo preliminar do Instituto Médico Legal, Fernando morreu em decorrência de edema cerebral, hemorragia craniana e traumatismo craniano causado por ação contundente.

O Aeroclube do Amazonas emitiu nota afirmando que a aeronave e os ocupantes estavam com a documentação regular junto aos órgãos responsáveis. A instituição também declarou que prestou apoio às famílias das vítimas, incluindo acompanhamento psicológico, e comunicou o acidente às autoridades aeronáuticas para as providências legais.

Famílias cobram justiça e criticam falta de apoio

Um mês após o ocorrido, familiares das vítimas expressaram insatisfação com o andamento das investigações e a falta de suporte pós-acidente. Fabrizio Oliveira, irmão de Ulysses, lamentou a perda do familiar, descrevendo-o como "a alma da família, sempre alegre e feliz". Ele cobrou respostas da perícia realizada no local e da Justiça, afirmando: "Sentimos muitas saudades e queremos que os responsáveis sejam punidos, seja com o fechamento do aeroclube ou de outra forma".

Os familiares também criticaram a falta de assistência contínua do aeroclube, alegando que a instituição só prestou apoio no dia do acidente, com psicólogos, e depois ficou quase um mês sem contato. "Não prestaram nenhuma ajuda ou apoio posterior", disse um familiar. Em resposta, o Aeroclube do Amazonas reiterou em nota que prestou toda a atenção aos familiares das vítimas no momento do acidente, incluindo apoio psicológico, e que aguarda a conclusão dos trabalhos das autoridades.

Contexto das vítimas e despedidas

Fernando trabalhava há seis anos no aeroclube, acumulando mais de 1.500 horas de voo, sendo mais de 400 na aeronave acidentada. Amigos relataram que ele havia se tornado pai há cinco meses. Ulysses, por sua vez, estava concluindo sua formação como piloto, participando de um dos últimos voos do curso para obtenção de créditos complementares.

No dia seguinte ao acidente, familiares e amigos se despediram das vítimas em velórios realizados em diferentes locais de Manaus. O velório de Fernando ocorreu no Centro da cidade, enquanto o de Ulysses foi realizado no bairro Cachoeirinha. Ambos foram sepultados no Cemitério São João Batista, marcando o fim trágico de duas trajetórias promissoras na aviação civil.

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