Vítima de incêndio no Shopping Recife relata ausência total de alerta de emergência
Daniela Barbosa, uma das funcionárias que trabalhava no Shopping Recife durante a madrugada de sexta-feira (13), fez um relato alarmante sobre o incêndio que atingiu o centro de compras. Segundo ela, não houve qualquer tipo de aviso por parte da administração do shopping quando as chamas começaram.
"Tinha mais de dez pessoas dentro do shopping e eles não avisaram"
Em entrevista, Daniela foi categórica: "Tinha mais de dez pessoas dentro do shopping e eles não avisaram, não tocaram sirene, não disseram nada". O incêndio teve início na loja de móveis e eletrodomésticos Casas Bahia, localizada no primeiro piso do estabelecimento, por volta das 2h27 da madrugada.
De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi acionado no horário, pelo menos seis pessoas precisaram de atendimento médico emergencial. As vítimas apresentavam sintomas de inalação de fumaça, com quadros que variaram de moderados a graves.
Funcionários presos sem saída durante o incêndio
Daniela trabalhava na loja de calçados e roupas esportivas Adidas, situada no segundo piso, exatamente acima da Casas Bahia onde o fogo começou. Ela descreve uma situação de desespero quando a fumaça começou a invadir o local onde estavam cerca de doze funcionários realizando inventário noturno.
"A gente sentiu um cheiro forte. A loja estava fechada, quando abriu, a fumaça entrou de vez e a gente entrou em desespero", relembrou a funcionária. "O rapaz da loja deu a cada um uma máscara e a gente tentou sair, mas não conseguiu. A gente voltou, ficou preso no estoque, fechou a porta e ficou só clamando pra Jesus salvar a gente".
Falta de comunicação e saídas bloqueadas
O relato de Daniela revela graves falhas nos procedimentos de emergência do shopping. Como o estabelecimento estava fechado para o público durante a madrugada, a maioria das saídas estava bloqueada, dificultando a evacuação. Além disso, segundo a funcionária, não houve qualquer alerta sonoro ou comunicação por parte da brigada de incêndio do shopping.
"Os seguranças sabiam que a gente estava lá dentro, tinha mais de dez pessoas dentro do shopping e eles não avisaram, não tocaram sirene, não disseram nada", afirmou Daniela com indignação. A situação, desde o aparecimento da fumaça até a remoção dos funcionários, durou aproximadamente uma hora inteira.
Vítimas com quadros graves de saúde
Três trabalhadores conseguiram sair para buscar ajuda enquanto os outros tentavam se proteger dentro da loja. Uma das vítimas chegou a desmaiar durante a tentativa de fuga e outra está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração.
"Quando chegou na parte da escada, a menina não conseguiu, caiu na escada. Quando chegou lá na frente, ela caiu de novo, desmaiou. Essa mesma menina está internada na UTI da Restauração nesse momento", relatou Daniela.
Os bombeiros confirmaram que a brigada do shopping removeu os funcionários antes da chegada da equipe especializada. As seis pessoas atendidas pelo Samu incluíam:
- Um homem de 24 anos e uma mulher de 48 anos, encaminhados para o Hospital da Restauração
- Duas mulheres, de 28 e 42 anos, atendidas no local
- Um idoso de 61 anos, também atendido no local
- Outro paciente, de sexo e idade não divulgados, encaminhado pelos bombeiros para hospital
Pacientes em estado grave e situação do shopping
Segundo o Hospital da Restauração, os dois pacientes internados estão sob os cuidados de uma equipe multidisciplinar. O homem de 24 anos está em observação, enquanto a mulher de 48 anos apresenta quadro de saúde grave, porém estável.
O Corpo de Bombeiros continua atuando no combate aos focos de incêndio e no procedimento de rescaldo - etapa crucial de resfriamento do local para evitar que materiais incendiados provoquem novas chamas. De acordo com a tenente Paloma Mendes, do Corpo de Bombeiros, as chamas ficaram restritas à loja de eletrodomésticos onde o fogo começou, mas a presença de materiais inflamáveis contribuiu para a intensidade da fumaça.
O Shopping Recife afirmou que a atuação da Defesa Civil, que pode realizar avaliação da estrutura afetada, acontecerá após os bombeiros finalizarem o trabalho. Até o momento, não há previsão para a reabertura do centro de compras, que permanece fechado enquanto as equipes de emergência atuam no local.
O g1 entrou em contato com as Casas Bahia para obter mais detalhes sobre o ocorrido, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. As investigações sobre as causas do incêndio e as falhas nos procedimentos de emergência continuam em andamento.



