Novos vídeos revelam tumulto e pânico em bloco de Calvin Harris em São Paulo
Novas filmagens divulgadas mostram a confusão e o desespero vividos por foliões durante o bloco Skol, que teve como atração principal o DJ escocês Calvin Harris, no domingo (8), na Rua da Consolação, no Centro de São Paulo. O evento, parte dos 11 circuitos de megablocos da cidade, foi marcado por superlotação extrema, resultando em tumulto e dezenas de pessoas necessitando de socorro médico após passarem mal.
Relato de pânico e fuga desesperada
A coordenadora de marketing Lara Faria, de 27 anos, foi uma das folionas que se machucaram e vivenciaram momentos de terror durante o bloco. Em entrevista, ela descreveu cenas que comparou a um filme de terror, detalhando como precisou escalar um poste e subir em um semáforo de pedestre para evitar ser pisoteada pela multidão.
"Comecei a escalar o poste e subi em cima do semáforo. Fiquei esperando um tempo até acalmar. Eu olhava para baixo e via as pessoas passando mal abaixo, sendo empurradas. Quando deu uma melhorada, eu desci. Na adrenalina do momento, não senti nada, mas na hora que desci, vi que estava com a perna toda ralada. Foi desesperador", relatou Lara.
Ela planejava encontrar amigos na estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, cuja saída fica na Rua da Consolação, mas ao sair da estação, deparou-se com uma multidão densa. Funcionários do metrô chegaram a fechar os portões devido à confusão, agravando a situação.
"Tinha muita gente, e os guardas não estavam deixando ficar na porta da estação, justamente para não travar e não causar tumulto. Assim que eu saí da estação já tava muito lotado. Veio uma onda de pessoas descendo e outras pessoas tentando voltar no contrafluxo", explicou.
Superlotação e falta de organização
Moradores da região relataram falta de organização e sinalização adequada nas ruas durante o bloco. A superlotação fez com que foliões ocupassem vias inicialmente liberadas para carros, ampliando o congestionamento e a sensação de descontrole no entorno do evento. Um dos momentos capturados em vídeo mostra uma grade sendo derrubada pela pressão da multidão, ilustrando a gravidade da situação.
Dezenas de foliões precisaram ser atendidos por equipes de socorro após passarem mal devido ao aperto e à aglomeração. Apesar disso, muitos conseguiram escapar para ruas adjacentes, como Lara, que após descer do semáforo, entrou em uma rua lateral e finalmente encontrou seus amigos.
Prefeito classifica evento como sucesso
Em contraste com os relatos de caos, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou o primeiro final de semana de pré-Carnaval na capital como "um sucesso". Ao ser questionado sobre os eventos de domingo, incluindo as confusões nos grandes blocos, ele destacou a infraestrutura montada pelo poder público.
"Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso", disse Nunes à GloboNews. Sobre a superlotação e os feridos no bloco Skol, ele afirmou que "nenhum caso foi considerado muito grave" e que em grandes eventos, como o de Ivete Sangalo, sempre são feitas avaliações para melhorias.
O prefeito elogiou o aparato de segurança e saúde, descrevendo-o como "perfeito", apesar dos relatos em contrário dos participantes e moradores. A declaração gerou controvérsia, levantando questões sobre a gestão de multidões em eventos de grande porte na cidade.
O incidente serve como alerta para a necessidade de revisão dos protocolos de segurança e organização em futuros blocos de Carnaval, visando prevenir situações similares e garantir o bem-estar dos foliões.



