Cemitérios de Sumaré e Campinas têm túmulos violados e ossadas expostas
Túmulos violados e ossadas expostas em cemitérios de SP

Cemiterios de Sumaré e Campinas enfrentam grave situação de abandono e vandalismo

Moradores das cidades de Campinas e Sumaré, no interior de São Paulo, estão denunciando uma situação alarmante de falta de zeladoria nos cemitérios municipais. Os espaços, que deveriam ser locais de respeito e memória, apresentam problemas graves que vão desde a vegetação descontrolada até a violação de túmulos com exposição de ossadas humanas.

Violência contra a memória dos falecidos

As denúncias foram encaminhadas à EPTV, afiliada da TV Globo, que realizou uma visita de inspeção aos locais nesta quarta-feira, dia 4. Os repórteres constataram uma realidade perturbadora: túmulos danificados, lápides furtadas e, em casos mais extremos, estruturas funerárias completamente abertas com restos mortais visíveis.

"É uma falta de respeito total", desabafa o marceneiro José Carlos Ferreira, cujo pai está enterrado há mais de dez anos no Cemitério da Saudade de Sumaré. "A gente vai lá para matar uma saudade que está no coração e encontra o túmulo destruído. Desde o Dia de Finados que percebi essa situação, e não é só o do meu pai - mais para o fundo do cemitério está tudo da mesma forma, com pedaços de mármore jogados ao relento".

Ossada humana exposta em sacola plástica

Em uma das quadras do cemitério de Sumaré, a equipe de reportagem encontrou um túmulo totalmente aberto onde era possível visualizar uma ossada humana dentro de uma sacola plástica. Nas proximidades, diversas outras lápides apresentavam placas de identificação e adornos removidos, indicando uma prática recorrente de furtos.

A administração municipal de Sumaré informou que realiza rondas periódicas em parceria com a Guarda Municipal, mas destacou que as famílias precisam registrar boletim de ocorrência sobre os furtos para que medidas possam ser tomadas. A prefeitura afirmou ainda que a zeladoria segue cronogramas estabelecidos e que reforça as equipes quando necessário.

Situação se repete em Campinas

Nos cemitérios da Saudade e dos Amarais, em Campinas, a realidade não é diferente. Visitantes encontram túmulos sujos, vandalizados e com peças de mármore quebradas, além da ausência de elementos decorativos que foram subtraídos. No Cemitério da Saudade, o mato alto se tornou um obstáculo significativo para quem deseja visitar os entes queridos.

A Prefeitura de Campinas emitiu uma nota explicando que a limpeza para remoção da vegetação já dura vinte dias, devido a falhas na empresa contratada que apresentou ausência de funcionários em determinados períodos. A administração municipal informou que abriu um processo para punir a empresa responsável.

Medidas de segurança implementadas

Segundo a prefeitura campineira, nos últimos três anos foram instaladas setenta novas câmeras de segurança nos cemitérios da cidade, além da colocação de grades no perímetro dos espaços funerários. Em relação ao Cemitério dos Amarais, a administração destacou que existe um projeto de reforma com velórios já prontos e que a Setec (Secretaria de Serviços Públicos) realiza manutenção regular no local.

Os problemas relatados pelos moradores revelam uma triste realidade sobre o descaso com espaços destinados à memória dos falecidos. A exposição de ossadas humanas, além de configurar um desrespeito aos mortos, representa uma violação grave da dignidade que deve ser preservada mesmo após a vida.