Risco de desabamento obriga famílias a deixar casas em São Mateus, na Zona Leste de SP
Risco de desabamento força famílias a saírem de casas em SP

Famílias são desalojadas por risco de desabamento em São Mateus após dois anos de abandono

Moradores da Avenida Pedro Cardoso do Prado, no Parque São Rafael, na Zona Leste de São Paulo, enfrentam uma situação crítica de abandono forçado há dois anos. As casas, onde algumas famílias residiram por mais de cinco décadas, começaram a apresentar rachaduras e graves problemas estruturais, levando à interdição de cinco imóveis pela Defesa Civil.

Trinta pessoas desalojadas vivem de favor e cobram soluções

Um total de trinta pessoas foi obrigado a deixar suas residências às pressas, com muitas delas agora dependendo da boa vontade de parentes e amigos para ter um teto. Os moradores relatam que as primeiras desocupações começaram há dois anos, e em um dos casos, dezesseis pessoas chegaram a morar no mesmo imóvel antes de serem evacuadas devido ao risco iminente de desabamento.

Vídeos gravados pelos próprios residentes mostram rachaduras se espalhando pelas paredes, tetos e pisos das casas, evidenciando a gravidade da situação. A auxiliar administrativa Mirna Evelyn Santos expressou ceticismo em relação às explicações oficiais: "Nós não temos conhecimento técnico, mas se fosse só esgoto o problema teria aparecido antes. As casas têm mais de 60 anos", afirmou. "E não teria afetado casas mais adiante. Não é só um trecho."

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Cenário de descaso agrava crise habitacional

O ambiente ao redor das residências piora a sensação de negligência. O Córrego Cipoaba, que margeia a via, está completamente tomado por lixo e entulho, e segundo relatos de vizinhos, o local se transformou em um ponto de consumo de drogas. Entre os mais afetados está a família de Seu Onorato, de 82 anos, que junto com a esposa teve que abandonar a casa onde vivia há décadas e se mudar para a residência dos filhos.

A mudança abrupta teve um impacto profundo na saúde do idoso. A diarista Valdineia Aparecida Pereira compartilhou a angústia familiar: "Era uma casa onde ele recebia os netos. Agora está comendo o que dão. É uma coisa que nós estamos pedindo socorro", desabafou.

Autoridades divergem sobre causas e respostas são lentas

Equipes da subprefeitura e da Sabesp estiveram na região recentemente, sugerindo que os danos poderiam estar relacionados a ligações clandestinas de esgoto. No entanto, em nota, a Sabesp afirmou que não encontrou danos, infiltrações ou rompimentos na área, atribuindo os problemas à movimentação do solo. A Prefeitura, por sua vez, explicou que vistorias não identificaram relação entre as redes públicas e os danos nas casas.

Sobre a possibilidade de indenizações, a administração municipal informou que os pedidos devem ser feitos através do portal 156 e serão analisados individualmente, caso a caso. Enquanto isso, as famílias continuam à espera de respostas concretas e soluções para recuperar sua estabilidade e segurança habitacional.

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