Moradores da Vila da Paz em Teresina temem desabamento de casas após obra inacabada
Risco de desabamento em Teresina após obra inacabada na Vila da Paz

Moradores da Vila da Paz em Teresina enfrentam risco de desabamento após obra inacabada

Moradores que vivem próximo ao Grotão da Vila da Paz, na Zona Sul de Teresina, estão em alerta máximo com o risco de desabamento de suas casas, situação que se agravou após as recentes chuvas. As famílias relatam que as residências começaram a apresentar rachaduras e problemas estruturais significativos, que teriam se intensificado devido às intervenções realizadas na obra de urbanização do local, iniciada em 2013 e ainda não finalizada.

Denúncias de moradores e agravamento da situação

De acordo com os relatos dos moradores, a movimentação do solo durante o período chuvoso, combinada com o uso de retroescavadeiras ao longo da execução do projeto, contribuiu para deteriorar ainda mais as estruturas das casas. Em uma das residências visitadas pela equipe da TV Clube, localizada na Rua do Fio, foram observadas fissuras nas paredes, no teto e no forro, além de ferragens expostas e sinais claros de deterioração na parte inferior do imóvel.

O aposentado Rulgivan, que reside na comunidade há 30 anos, afirma que há aproximadamente dois anos sua casa começou a apresentar rachaduras e que há um temor constante de que ela possa desabar a qualquer momento. Ele destaca que nunca recebeu indenização da Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul (SDU Sul) e que, apesar de diversas solicitações, nunca houve uma vistoria oficial no imóvel.

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Obra de urbanização e seus impactos

A obra, de responsabilidade da Prefeitura de Teresina por meio da SDU Sul (antiga Saad Sul), foi orçada inicialmente em cerca de R$ 25 milhões, com recursos da Caixa Econômica Federal e do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). O projeto prevê a criação de uma área de lazer e preservação ambiental, incluindo uma praça pública, ginásio poliesportivo, ciclovia, academia popular e a renovação dos sistemas de abastecimento de água, energia elétrica e esgoto da comunidade.

A primeira fase da intervenção foi considerada concluída, mas a segunda etapa, iniciada em janeiro de 2020, enfrentou diversas paralisações ao longo dos anos, inclusive durante a pandemia. Originalmente, a prefeitura informou que a obra seria executada em três anos, com conclusão prevista para 2016, mas até o momento ela permanece inacabada.

Consequências para as famílias e cobranças por soluções

Enquanto a obra não é finalizada, os moradores afirmam que evitam investir em melhorias em suas próprias casas, seja por medo de perder o imóvel ou por incerteza sobre possíveis remoções. Muitas residências passaram a ser classificadas como moradias em área de risco após as intervenções, e há queixas de que, durante as chuvas, algumas casas ficam ilhadas, aumentando a sensação de insegurança.

Os moradores cobram uma solução definitiva das autoridades e exigem a presença da Defesa Civil para avaliar as condições estruturais das residências. Em resposta, a Defesa Civil de Teresina informou que, após tomar conhecimento da situação, realizará uma visita técnica ao local para averiguar as condições relatadas e adotar as providências necessárias. O órgão reafirmou seu compromisso com a segurança da população e garantiu que acompanhará o caso com responsabilidade e atenção, dentro de suas atribuições.

A reportagem também tentou contato com a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul (SDU Sul) para obter mais informações sobre o andamento da obra e as medidas planejadas para atender às demandas dos moradores, mas ainda aguarda retorno.

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