Quadra da Mangueira permanece interditada por risco de incêndio enquanto eventos seguem acontecendo
A Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que completa 98 anos neste mês, enfrenta uma situação delicada envolvendo a segurança de sua quadra. Interditada há dois anos pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro por falta de condições adequadas de prevenção contra incêndio, o espaço continua sendo utilizado para eventos com regularidade, desafiando as determinações oficiais.
Interdição por "perigo sério e iminente"
Segundo os bombeiros, a quadra está formalmente interditada desde janeiro de 2024 e não pode receber público por apresentar "perigo sério e iminente". Um laudo de fiscalização aponta problemas graves nas rotas de fuga e na sinalização de segurança, colocando em risco os frequentadores do local. A corporação afirma que o único pedido de desinterdição apresentado pela escola foi negado em 5 de fevereiro de 2024, e que não há registros recentes de solicitações de autorização para eventos.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga há dois anos o descumprimento das normas de prevenção de incêndio e pânico pela agremiação. Recentemente, o órgão cobrou explicações tanto da Prefeitura do Rio quanto do Corpo de Bombeiros sobre a situação da interdição.
Eventos continuam apesar das proibições
Apesar da interdição vigente, a quadra da Mangueira tem recebido eventos com frequência. Em fevereiro, o local ficou lotado durante uma feijoada, e em setembro do ano passado sediou a final do samba-enredo. Em uma das eliminatórias, a escola chegou a cobrar R$ 1 mil por um camarote. A programação continua prevista, com um baile marcado para este sábado (18) e um evento de samba no dia 1º de maio, conforme anunciado na página oficial da escola.
A presidente da agremiação, Guanayra Firmino, chegou a convidar o comandante do grupamento dos bombeiros músicos para participar da alvorada festiva programada para 28 de abril, mas o pedido foi negado pela corporação.
Versões contraditórias sobre a regularização
Em resposta ao MPRJ em janeiro, a Mangueira enviou esclarecimentos afirmando que realiza apenas eventos de pequeno porte, com público entre 500 e 1.000 pessoas, e que o processo de regularização junto ao Corpo de Bombeiros está em andamento dentro dos prazos estabelecidos. A escola declarou estar adequando a quadra às normas de segurança.
Contudo, os bombeiros afirmam que não há registro de qualquer processo de adequação às normas de segurança na quadra da Mangueira. Já a Secretaria de Ordem Pública (Seop) informou ter notificado a escola em 2026 para apresentar alvará, certificado dos bombeiros e documentação de uso do espaço.
Próximos passos do inquérito
Uma reunião entre o MPRJ, bombeiros, Seop e representantes da escola está marcada para 4 de junho. A promotoria disse que o objetivo é cobrar dos órgãos públicos o cumprimento das medidas necessárias para garantir a segurança do local. Até lá, a situação permanece em um impasse, com a quadra interditada oficialmente mas continuando a ser utilizada para eventos diversos.
A Prefeitura do Rio não se manifestou sobre o caso quando procurada pela reportagem. O RJ2 tentou contato novamente com os bombeiros, que mantiveram a posição de que qualquer uso do espaço ocorre em desacordo com a interdição vigente.



