Incêndio no Shopping Tijuca: hidrante sem água e falhas no combate deixam 2 mortos
Incêndio no Shopping Tijuca: hidrante sem água e 2 mortos

Um incêndio no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou na morte de duas pessoas e deixou outras três feridas. As chamas começaram na loja Bell Art, e investigações apontam para uma série de falhas que dificultaram o combate ao fogo, incluindo um hidrante interno sem água.

Falhas no sistema de combate ao fogo

Em depoimento à 19ª DP (Tijuca) na quarta-feira (14), o supervisor da Bell Art, Vitor Luiz Moreira Lisboa, revelou um dado crucial: o hidrante dentro da loja estava sem água no momento do sinistro. Ele afirmou que o combate pelas brigadas do shopping começou cerca de sete minutos após os funcionários perceberem uma densa fumaça saindo do estoque, e que o botão de pânico foi acionado.

Segundo o relato, diante da inoperância do hidrante, uma das vítimas fatais, o segurança Anderson Aguiar do Prado, saiu com outro colega em busca de água em um quiosque vizinho. Eles tentaram ajudar no combate, mas estavam sem nenhum equipamento de proteção apropriado para enfrentar as chamas.

Investigação aponta origem e novas falhas

A Polícia Civil investiga a possibilidade de o fogo ter começado no ar-condicionado do mezanino da loja. O supervisor Vitor Luiz disse ter ouvido um barulho forte vindo do aparelho. Bombeiros civis que atuaram no local já relataram que houve também falha no equipamento de detecção de fumaça da loja, o que atrasou o alerta inicial.

O depoimento trouxe à tona ainda questões sobre os treinamentos. O supervisor declarou que a única orientação dada à equipe da loja para situações de incêndio era evacuar o local e avisar a administração do shopping, sem procedimentos mais específicos de contenção inicial.

Vistoria anterior e promessa de reabertura

Sobre uma vistoria realizada no dia 27 de dezembro, que mostrou excesso de estoque com caixas de papelão, Vitor Luiz afirmou que o problema foi organizado ou resolvido no dia seguinte. Ele disse que a loja costumava corrigir irregularidades quando identificadas, mas não soube informar prazos formais ou a frequência das manutenções do ar-condicionado.

Enquanto isso, as investigações continuam. Depois do depoimento do chefe da empresa terceirizada responsável pela brigada do shopping, outros brigadistas serão ouvidos pela polícia nesta quinta-feira (15). Apesar da tragédia, o Shopping Tijuca prometeu reabrir as portas na sexta-feira (16), às 10h.