Novo conflito entre indígenas e policiais em Amambai após prisões
Conflito entre indígenas e policiais em Amambai

Um novo confronto entre indígenas e policiais foi registrado nesta segunda-feira (27) em Amambai, Mato Grosso do Sul, um dia após cinco indígenas terem sido presos por ocuparem a fazenda Limoeiro. A área está sobreposta à Terra Indígena Iguatemipeguá II, que aguarda demarcação.

Confronto com tiros e bombas

De acordo com o Conselho Missionário Indigenista (Cimi), policiais militares e agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) atacaram o povo Guarani-Kaiowá com disparos e bombas. O Cimi informou que, até o momento, não há registros de feridos ou novos presos. O confronto ocorreu durante a retomada de parte da fazenda pelos indígenas.

O g1 procurou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, mas não obteve retorno até a última atualização. A Força Nacional, que acompanha a situação no local, também foi contatada e aguarda posicionamento.

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Contexto da disputa territorial

O episódio reflete uma tensão fundiária histórica na região, marcada por divergências sobre a ocupação do solo e o status jurídico das áreas. A Polícia Militar trata a ação como invasão de propriedade, enquanto o Cimi afirma que se trata de retomada de território ancestral.

A Terra Indígena Iguatemipeguá II está em fase de estudos para demarcação. O processo administrativo tramita desde 2008 e envolve levantamentos antropológicos, históricos e ambientais realizados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Indígenas presos e relatos de ataques

Segundo o Cimi, os indígenas foram atacados por homens armados antes da chegada da polícia. Durante a saída, o grupo foi empurrado pelas forças policiais de volta à aldeia Limão Verde, onde o local foi alvo de tiros e bombas. Cinco indígenas foram presos e permanecem na delegacia de Amambai: Josilaine Gonçalves, Valdenir Gonçalves, Aracilda Nunes, Daiane Orti e Grezi Vilhalva.

O Cimi destaca que o clima na região é de tensão, com presença de homens armados e equipes policiais nos acessos à reserva. A Força Nacional de Segurança Pública foi acionada.

Versão da Polícia Militar

A Polícia Militar informou que a ação foi realizada para conter a ocorrência de invasão. Segundo a corporação, houve danos à casa na fazenda e tentativa de destruir veículos e máquinas. O grupo teria entrado na propriedade por volta das 23h20 de sábado, expulsando a família durante a madrugada. A polícia encontrou objetos separados para possível retirada, como eletrônicos e joias.

Três indivíduos foram detidos e a ocorrência será encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para apuração das responsabilidades criminais. O policiamento permanece na região para evitar novos conflitos.

Posicionamento do Ministério dos Povos Indígenas

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que acompanha o caso por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (DEMED). Representantes da Funai e da Força Nacional se deslocaram ao local para mediação e esclarecimentos. O MPI aguarda mais informações para acionar os órgãos responsáveis e qualificar eventuais violências e violações de direitos.

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