Chuva arrasta lixo acumulado em BH devido à greve de garis; situação se agrava
Chuva arrasta lixo em BH com greve de garis; vídeos mostram caos

Chuva intensa agrava crise do lixo em Belo Horizonte durante greve de garis

A chuva que caiu nesta terça-feira (20) em Belo Horizonte transformou uma situação já crítica em um verdadeiro caos urbano. Com a greve dos garis entrando no segundo dia, o acúmulo de resíduos em diversas regiões da capital mineira foi levado pelas enxurradas, espalhando lixo por ruas e calçadas e aumentando os riscos à saúde pública e ao meio ambiente.

Vídeos e relatos mostram o impacto direto nos bairros

Moradores de diferentes áreas de Belo Horizonte têm registrado cenas alarmantes. Fernanda Holman, residente no bairro Santo André, na Região Noroeste, compartilhou um vídeo onde se vê sacos de lixo sendo arrastados pela água da chuva. “Ontem não tivemos a recolha do lixo, e agora, com a chuva, as ruas estão com lixo espalhado por todo canto”, afirmou ela, destacando como a paralisação dos serviços de coleta se intensificou com as condições climáticas adversas.

Outros bairros também sofrem com o problema. No Paulo VI, região Nordeste, Kátia Fagundes relata que seu portão virou um depósito improvisado, com vizinhos acumulando resíduos em sua frente devido à falta de coleta. Locais como Padre Eustáquio e Coração Eucarístico igualmente apresentam ruas e esquinas tomadas pelo lixo, criando um cenário de desordem e potencial proliferação de doenças.

Prefeitura reforça ações, mas greve persiste

Diante da crise, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que está reforçando as operações de recolhimento de lixo, mobilizando mais de 300 garis e dezenas de caminhões para atender as regiões mais afetadas. A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) monitora as negociações entre os trabalhadores e a empresa terceirizada envolvida, afirmando que mantém os contratos em dia e busca garantir a continuidade dos serviços.

No entanto, a greve, que envolve cerca de 200 garis terceirizados da empresa Sistemma Serviços Urbanos, continua sem solução imediata. Os trabalhadores reivindicam melhores condições laborais e garantia de direitos, rejeitando uma proposta da empresa que previa a contratação de apenas dez novos funcionários e um prazo de dez dias para consertar veículos. A paralisação, classificada como irregular pela empresa, já resultou em mais de 600 toneladas de lixo não recolhidas, segundo estimativas oficiais.

Reflexos ambientais e sociais da situação

O acúmulo de lixo, agravado pela chuva, não só compromete a estética urbana, mas também eleva os riscos de:

  • Contaminação de cursos d’água com resíduos carregados pelas enxurradas.
  • Proliferação de vetores de doenças, como ratos e insetos, em áreas residenciais.
  • Acidentes de trânsito devido à obstrução de vias públicas com sacos de lixo espalhados.

Enquanto a negociação entre as partes segue em aberto, moradores de Belo Horizonte enfrentam dias de incerteza, com a expectativa de que chuvas futuras possam repetir ou piorar o cenário atual. A situação evidencia a vulnerabilidade dos serviços essenciais diante de conflitos trabalhistas e intempéries climáticas, exigindo soluções urgentes para restaurar a normalidade na cidade.