Moradores evacuam condomínio após cheiro forte em obra da Transpetro em Mangaratiba
Cheiro forte em obra da Transpetro faz moradores deixarem condomínio

Cheiro forte durante obra da Transpetro provoca evacuação de condomínio em Mangaratiba

Moradores de um condomínio localizado em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro, foram obrigados a abandonar suas residências após o início de um reparo em um duto da Transpetro que passa nos fundos do empreendimento. O odor intenso, descrito como semelhante ao de gasolina, se intensificou na segunda-feira, dia 23, levando pelo menos 70 pessoas a deixarem suas casas em busca de segurança.

Sintomas de intoxicação afetam principalmente idosos

De acordo com relatos dos condôminos, muitos residentes, a maioria idosos, apresentaram sintomas preocupantes como enjoo, vômito, dor de cabeça, pressão arterial elevada, ardência na garganta e falta de ar. Mais de 20 pessoas procuraram atendimento médico em um posto de saúde local com suspeita de intoxicação, evidenciando a gravidade da situação.

"Quando levantei e abri minha janela, veio aquele cheiro muito forte, como se fosse uma pancada na minha cara. Parecia que eu estava num posto de gasolina", contou a aposentada Cida Carvalho dos Santos, que destacou a sensação de sufocamento e dificuldade para respirar.

Problema se arrasta desde o mês passado

Os moradores afirmam que o problema começou no mês anterior, com a obra no duto utilizado para transportar petróleo entre o Terminal de Angra dos Reis e a Refinaria de Duque de Caxias. Entretanto, nesta semana, o odor se tornou insuportável, forçando medidas drásticas.

A dona de casa Alice Fontes de Mello relatou que sua pressão arterial subiu significativamente durante os dias mais críticos. "Tive 19 de pressão na segunda. Enjoo, garganta inflamada, arranhando, parecia que estava fechando", disse ela, ilustrando o impacto na saúde dos residentes.

Saída às pressas e busca por justiça

Diante da situação insustentável, os moradores registraram um boletim de ocorrência e buscaram apoio da Defensoria Pública e do Ministério Público. A Transpetro, por sua vez, ofereceu hospedagem em hotéis para os condôminos, mas muitos se queixaram do desconforto e da falta de aviso prévio sobre a intervenção.

"Tivemos que sair da nossa casa para ficar hospedados em um lugar que não era do nosso interesse. Cada um gosta do seu conforto", afirmou o vendedor Fabiano Júnior, que precisou se mudar temporariamente para um hotel.

A esteticista Dandara Jenifer ressaltou que a comunidade não foi notificada sobre a obra. "Ficamos sabendo porque vimos a movimentação. Eu moro perto da obra. Não fomos notificados", declarou, apontando falhas na comunicação da empresa.

Multa aplicada e vistoria técnica

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Mangaratiba esteve no local e aplicou uma multa de R$ 500 mil à Transpetro por poluição atmosférica constatada em ambiente urbano. Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente também realizaram vistoria para avaliar os impactos ambientais e à saúde pública.

Posicionamento da Transpetro

Em nota, a Transpetro informou que realiza, desde o dia 23, um reparo preventivo na infraestrutura do duto, procedimento que seria controlado e seguro, com comunicação prévia às autoridades competentes. A empresa negou qualquer vazamento de produto, atribuindo o odor ao escoamento de petróleo residual, que já teria sido concluído.

A companhia garantiu que o reparo será finalizado até o início da próxima semana e que o odor não é tóxico, seguindo normas internacionais. A Transpetro também afirmou estar ciente da notificação da prefeitura e reúne a documentação solicitada.

A Defensoria Pública informou que o Núcleo Regional de Tutela Coletiva estuda as providências cabíveis e manterá contato com a comunidade afetada, buscando soluções para o caso.