Autorização de casa de shows perto de hospital gera protestos no Brooklin, SP
Casa de shows perto de hospital gera protestos no Brooklin

Autorização de casa de shows perto de hospital gera protestos no Brooklin, SP

A concessão de um alvará para eventos com público de quase cinco mil pessoas em uma nova casa de shows no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, está causando indignação entre moradores e preocupação em um hospital de reabilitação e cuidados paliativos localizado a poucos metros do empreendimento. O espaço, denominado Varanda Estaiada, tem inauguração prevista para este sábado (14) com uma festa de música eletrônica, após autorização da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento no final de janeiro.

Preocupação com pacientes e falta de isolamento acústico

O hospital Premier Brooklin, que atualmente abriga 95 pacientes em recuperação pós-cirúrgica ou recebendo cuidados paliativos, teme impactos significativos na rotina e prejuízos à saúde devido à proximidade do evento. A gerente da unidade, Oneide Rodrigues, revelou que soube do empreendimento há menos de um mês e que não houve tempo suficiente para instalar janelas antirruído nos quartos. "É uma questão de saúde para os nossos pacientes", afirmou, expressando aflição com a possibilidade de eventos que invadam a madrugada.

Moradores da região também demonstraram especial preocupação com a falta de isolamento acústico no espaço, descrito como "tipo uma tenda ao ar livre". Leonardo Alves, um dos residentes, relatou que em eventos anteriores do mesmo empreendimento, realizados a cerca de um quilômetro de distância, o som era audível de sua localização, aumentando os temores sobre o impacto sonoro.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Mobilização comunitária e questionamentos legais

A vizinhança já conseguiu coletar 1.341 assinaturas em um abaixo-assinado virtual contra o projeto e reuniu apoio de vereadores de diferentes espectros políticos, incluindo Nabil Bonduki (PT), Marina Bragante (Rede) e Zoe Martínez (PL). Os parlamentares participaram de uma reunião com a secretaria municipal e enviaram ofícios à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), pedindo a reavaliação do alvará.

Bonduki contestou a classificação do empreendimento como "evento temporário", que simplifica o processo de licenciamento e dispensa a apresentação de estudo de impacto de vizinhança. Ele citou uma norma que estabelece limites para emissão de ruídos em áreas próximas a hospitais, alegando que o Varanda Estaiada não se enquadra nessa categoria. A advogada Agda Mendes, presidente do Conselho Comunitário de Segurança da região, reforçou essa posição, argumentando que as obras no local, incluindo movimentação de terra e instalações hidráulicas, indicam uma estrutura mais permanente.

Respostas das partes envolvidas

O Ministério Público de São Paulo foi provocado pelos moradores e cobrou que a prefeitura e a Polícia Militar monitorem os eventos para preservar os direitos à tranquilidade e circulação na vizinhança. Em resposta, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento afirmou que o alvará foi concedido após análise técnica e cumprimento integral das exigências legais, incluindo documentação sobre limites de emissão de ruído.

Os responsáveis pelo Varanda Estaiada, por sua vez, declararam que mantêm diálogo com o hospital desde o ano passado e investiram em métodos para minimizar a geração de ruído, como uma parede acústica de contêineres posicionada atrás dos amplificadores. Eles também afirmaram que medições sonoras serão realizadas antes da inauguração para garantir o cumprimento dos limites legais e que o espaço é itinerante, não uma casa de shows permanente.

Apesar das garantias, a gerente do hospital permanece cética sobre a eficácia das medidas, destacando que eventos a céu aberto representam um risco significativo. A situação expõe tensões entre o desenvolvimento urbano e a proteção à saúde pública, com a comunidade local exigindo maior rigor na aplicação das leis de controle de ruído.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar