Canal da Nova Doca transborda em Belém e vira 'piscina' para crianças durante temporal
Canal da Nova Doca transborda e vira 'piscina' em Belém

Canal da Nova Doca transborda em Belém e vira 'piscina' para crianças durante temporal

Uma das principais obras entregues para preparar Belém para receber a COP30 virou cenário de alagamento e banho improvisado de crianças nesta terça-feira (5). Imagens gravadas durante a chuva mostram crianças mergulhando na água acumulada no canal da Doca, no centro da capital paraense.

No vídeo, meninos entram na água barrenta que cobre parte da estrutura e passam a nadar e mergulhar enquanto a chuva continua caindo. A cena ocorre em um trecho do canal onde o nível da água sobe rapidamente. Em determinado momento, uma das crianças mergulha da passarela suspensa para dentro do canal, que transborda completamente.

Impacto no trânsito e circulação urbana

Ao redor do canal, a água ocupa parte da área e se espalha para a pista, afetando significativamente a circulação de veículos e obrigando pedestres a atravessar o alagamento em condições precárias. O g1 entrou em contato com o Governo do Pará para saber informações e medidas sobre o transbordamento do canal e aguarda posicionamento oficial.

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Obra de R$ 310 milhões para a COP30

O local passou recentemente por obras de requalificação urbana ligadas à preparação de Belém para sediar a COP30. O projeto da chamada Nova Doca tem investimento estimado em cerca de R$ 310 milhões e inclui:

  • Requalificação completa do canal
  • Obras de drenagem avançada
  • Criação de um parque linear com aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão
  • Implementação de ciclovias, passarelas e espaços de lazer

Entre os objetivos principais da intervenção estavam melhorar o sistema de drenagem da área, reduzir alagamentos e revitalizar uma das principais avenidas da cidade. Apesar do investimento milionário, o temporal desta terça provocou o transbordamento do canal e alagamento no entorno imediato.

Risco grave de contaminação e doenças

A presença de pessoas dentro da água acumulada acende alerta máximo para riscos à saúde pública. Durante o período de chuvas intensas no Pará, a água de alagamentos pode estar contaminada por:

  1. Esgoto não tratado
  2. Lixo urbano acumulado
  3. Urina de animais, especialmente ratos

Um dos principais riscos é a Leptospirose, doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira. A bactéria está presente principalmente na urina de ratos e pode sobreviver por meses em ambientes úmidos. Durante chuvas fortes, a água pode espalhar o microrganismo por ruas e canais.

A contaminação ocorre principalmente quando a pele — especialmente se houver ferimentos — entra em contato com água ou lama contaminada. A doença também pode ser contraída pelas mucosas ou após exposição prolongada à água infectada.

Sintomas e dados epidemiológicos

Os sintomas iniciais da leptospirose incluem:

  • Febre alta e persistente
  • Dor de cabeça intensa
  • Dor muscular, principalmente nas panturrilhas

Em casos mais graves, a doença pode evoluir para icterícia, hemorragias internas e insuficiência renal aguda. Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública indicam que o Pará registrou 151 casos de leptospirose em 2025, com maior concentração entre janeiro e abril. Belém teve o maior número de registros no período, com 53 casos confirmados.

Medidas de prevenção essenciais

Para prevenir a leptospirose e outras doenças relacionadas a alagamentos, as principais medidas incluem:

  • Evitar completamente o acúmulo de lixo e água parada em propriedades
  • Proteger os pés com calçados fechados e impermeáveis ao andar em áreas alagadas
  • Consumir apenas água tratada e filtrada
  • Não deixar restos de alimentos de animais de estimação expostos, para não atrair roedores
  • Evitar alimentos de origem duvidosa ou que possam ter sido expostos a ratos
  • Não tomar banho em canais, igarapés, açudes e riachos próximos a áreas infestadas por roedores

Em caso de sintomas suspeitos, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar imediatamente as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para diagnóstico e tratamento adequado.

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Contexto climático e operações municipais

Belém enfrenta atualmente o período mais intenso de chuvas do chamado inverno amazônico, e a previsão meteorológica indica continuidade dos temporais nos próximos dias. Além disso, a cidade deve registrar marés acima de 3 metros ao longo de março, com picos que podem ultrapassar 3,3 metros, segundo dados oficiais da tábua de marés.

A combinação perigosa entre maré alta e chuvas fortes pode dificultar significativamente o escoamento da água em áreas próximas a canais e regiões mais baixas da cidade, aumentando exponencialmente o risco de novos alagamentos e situações similares.

Durante o período chuvoso, a Prefeitura de Belém informou que intensificou a limpeza de galerias, bocas de lobo e canais por meio da chamada Operação Inverno. Segundo o município, cerca de 100 trabalhadores atuam na retirada de resíduos e na desobstrução de tubulações em diferentes pontos da cidade para reduzir os impactos das chuvas, embora o episódio do canal da Nova Doca demonstre desafios persistentes na infraestrutura de drenagem urbana.