Campinas registra aumento de 724% em reclamações por barulho em cinco anos
Campinas tem alta de 724% em queixas por barulho em 5 anos

Campinas enfrenta epidemia de barulho com aumento de 724% nas reclamações

Dormir ou simplesmente desfrutar do sossego em casa tornou-se um verdadeiro desafio para muitos moradores de Campinas, no interior de São Paulo. A cidade registrou um aumento alarmante de 724% nas reclamações por barulho nos últimos cinco anos, segundo dados oficiais da prefeitura. Em 2025, foram recebidas impressionantes 1.220 denúncias através da central de atendimento 156, o que equivale a aproximadamente três ocorrências por dia.

Bairros mais afetados e tipos de perturbação

Entre os bairros que mais sofrem com o problema, o Cambuí lidera com 80 reclamações registradas, seguido pelo Centro com 58, Jardim Nova Europa com 39, Barão Geraldo com 25 e Botafogo com 24 denúncias. As queixas abrangem desde os famosos "pancadões" — eventos com som alto de veículos, interdição de vias e grande concentração de pessoas — até o ruído constante de caminhões de coleta de lixo e atividades de construção civil.

Das 1.220 reclamações recebidas pela administração municipal em 2025, a esmagadora maioria (1.113) refere-se especificamente a perturbação do sossego ou poluição sonora, enquanto 79 estão relacionadas aos pancadões e 28 ao barulho dos caminhões de coleta. A situação tem se agravado progressivamente, transformando-se em uma verdadeira crise urbana que afeta diretamente a qualidade de vida dos campineiros.

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Testemunhos de moradores e dificuldades enfrentadas

A jornalista Angèle Berdat, residente no bairro Nova Campinas, relata uma rotina de incômodos sonoros que se intensifica nos finais de semana. "Quando tem festa, principalmente no Parque Ecológico aos sábados, a gente até respeita. O problema é domingo, quando os barulhos continuam após as 22h e se estendem pela madrugada", desabafa. Ela detalha ainda que, além das festas, precisa lidar com caminhões de britadeira e pedreiros gritando durante a noite, situação agravada pela falta de vegetação que poderia amortecer os sons.

Outro morador, que preferiu não se identificar e vive próximo à Praça Bento Quirino, no Centro, confessa que simplesmente não consegue dormir devido ao volume excessivo de som proveniente dos muitos bares e restaurantes da região. Já no bairro São Gabriel, a principal queixa é contra um caminhão de recreação que percorre as ruas com caixas de som em volume máximo e iluminação intensa, perturbando o descanso dos residentes.

Resposta das autoridades e desafios operacionais

A comandante da Guarda Municipal de Campinas, Maria de Lourdes Soares, reconheceu a "alta demanda" por atendimentos relacionados a perturbação do sossego e explicou os desafios enfrentados pela corporação. "Nós temos uma demanda grande, de fato, relacionada a perturbação da tranquilidade, especialmente nos finais de semana, de sexta a domingo. Nos feriados também é uma demanda grande", afirmou a comandante.

Ela destacou que muitos cidadãos acreditam erroneamente que podem emitir sons altos até as 22h, mas a Guarda Municipal utiliza critérios técnicos baseados em decibelímetros, cujos limites variam conforme o local e horário. Em áreas próximas a hospitais, por exemplo, não são permitidos barulhos significativos em qualquer período do dia.

Maria de Lourdes também explicou as dificuldades operacionais: "Eventualmente, podemos demorar para fazer o atendimento dessa ocorrência, até porque algumas delas demandam mais tempo. Quando vamos atender a um caso em via pública ou estabelecimento comercial, com muito público ou público na rua, temos o empenho de mais de uma viatura destinada". A comandante acrescentou que, em diversos casos, quando as equipes finalmente chegam ao local da denúncia, o problema já foi solucionado pelos próprios envolvidos.

Contexto histórico e medidas legais

Os chamados "pancadões" ganharam popularidade na década de 2010, frequentemente envolvendo menores de idade e consumo de bebidas alcoólicas. Em 2015, uma lei estadual foi promulgada especificamente para proibir esse tipo de evento, mas a prática persiste e continua gerando inúmeras reclamações entre os moradores de Campinas.

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Os dados revelam uma tendência preocupante: o número de reclamações por barulho na cidade quintuplicou em apenas cinco anos, indicando tanto um aumento real das perturbações sonoras quanto uma maior conscientização da população sobre seus direitos ao sossego. A situação coloca em evidência a necessidade de políticas públicas mais eficazes para equilibrar a vida noturna da cidade com o direito fundamental ao descanso dos residentes.