Advogada recebe alta após três meses internada por queimaduras graves em incêndio
Juliane Vieira, uma advogada de 29 anos, recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20) após três meses de internação no Hospital Universitário (HU) de Londrina, no norte do Paraná. Ela sofreu queimaduras em 63% do corpo ao se pendurar no ar-condicionado do 13º andar de um apartamento para salvar a mãe e o primo durante um incêndio ocorrido em outubro.
Detalhes do acidente e resgate heroico
O incêndio aconteceu na manhã de 15 de outubro, em um apartamento no bairro Country, em Cascavel. Juliane estava com a mãe, Sueli, de 51 anos, e o primo, Pietro, de 4 anos. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram a advogada pendurada do lado de fora do prédio, tentando resgatar os familiares. Após conseguir ajudá-los, ela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros.
A mãe de Juliane teve queimaduras no rosto, nas pernas e nas vias respiratórias, ficando 11 dias internada. Pietro foi transferido para Curitiba por causa da inalação de fumaça e queimaduras, recebendo alta após 16 dias. Dois bombeiros também sofreram queimaduras durante o resgate.
Tratamento intensivo e gravidade do caso
Juliane foi atendida no Centro de Tratamentos de Queimados (CTQ) do HU de Londrina, uma referência no estado para pacientes com queimaduras. Xenia Tavares, cirurgiã plástica do CTQ, explicou que a advogada foi classificada como paciente gravíssimo devido à extensão das queimaduras de 3º grau e à queimadura de via aérea.
"Quando você tem 10%, 20% de queimadura de terceiro grau é um paciente gravíssimo. Porque a queimadura de 3º grau me tira a oportunidade de regenerar aquela pele com curativos, sem grandes procedimentos cirúrgicos", detalhou a médica. Ela ressaltou que pacientes com mais de 50% do corpo queimado têm, em média, 25% de chance de sobreviver.
Processo de recuperação e cuidados médicos
O tratamento no CTQ envolveu uma equipe multidisciplinar de aproximadamente 150 profissionais, incluindo infectologistas, cirurgiões plásticos e fisioterapeutas. A unidade possui 16 leitos, sendo seis de UTI e 10 de enfermaria, e realizou 414 internações em 2025.
Os cuidados imediatos incluíram estabilização das vias aéreas e pressão sanguínea, prevenção de hipotermia e desidratação. Para queimaduras de 3º grau, foram necessários enxertos com pele saudável do próprio paciente e transplantes de doadores.
Longo caminho de reabilitação pós-alta
Após a alta hospitalar, Juliane enfrenta um longo processo de reabilitação, que pode incluir cirurgias de sequela, uso de malhas por mais de um ano, e possíveis lesões crônicas, coceira e queloides. A equipe médica enfatiza que a trajetória de um paciente queimado é complexa e exige dedicação contínua.
Investigação e perfil de Juliane
A Polícia Civil concluiu em novembro de 2025 que o incêndio não foi intencional e não há sinais de crime, com as chamas começando na cozinha do apartamento. Juliane é descrita por amigos como uma pessoa prática e resiliente, que pratica crossfit e valoriza momentos com a família e ao ar livre. Seu cachorrinho Barthô também foi resgatado ileso durante o incidente.
Este caso destaca a importância dos centros especializados no tratamento de queimaduras e a coragem demonstrada em situações de emergência.