'Noite dos OVNIs': caças da FAB perseguiram 21 objetos em 1986 em São José
'Noite dos OVNIs' mobilizou caças da FAB em 1986

Há quatro décadas, um dos episódios ufológicos mais emblemáticos do Brasil colocou a Força Aérea Brasileira (FAB) em alerta e transformou São José dos Campos (SP) no epicentro de um mistério que permanece sem solução oficial. Na noite de 19 de maio de 1986, pelo menos 21 objetos voadores não identificados (OVNIs) foram avistados nos céus de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. O caso, conhecido como “Noite dos OVNIs”, levou a FAB a mobilizar cinco caças para interceptar os alvos, que, conforme relatos da época, alteravam suas posições em alta velocidade e desapareciam dos radares.

O maior caso da ufologia mundial

“É um dos maiores casos da ufologia mundial pela quantidade de testemunhas, envolvimento militar e documentação oficial existente. O caso reúne praticamente todos os elementos considerados fundamentais para validação de um grande caso ufológico. Tivemos testemunhas civis, pilotos militares, controladores de voo, registros de radar e acompanhamento das aeronaves da FAB”, explica o ufólogo Renato Mota.

Pontos luminosos no céu

O incidente teve início quando o operador da torre do Aeroporto de São José dos Campos avistou pontos luminosos que mudavam de cor. Ele questionou o piloto Alcir Pereira, que também confirmou ter visto as luzes. O empresário e engenheiro aeronáutico Ozires Silva, um dos fundadores da Embraer, foi uma das principais testemunhas do caso. Na época, presidente da Petrobras, ele pilotava um avião executivo que seguia de Brasília para São José dos Campos quando relatou ter observado luzes misteriosas acompanhando a aeronave.

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O relato de Ozires deu ainda mais repercussão ao caso, já que ele era reconhecido nacionalmente pela experiência e credibilidade na aviação. “Eu que estava pilotando nessa hora. E aí, foi quando o operador de tráfego, de Brasília, falou que estava vendo três objetos não identificados no radar. Eu falei: 'vou lá dar uma olhada'. Foi aí que coloquei o avião nessa direção”. Depois disso, radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) passaram a detectar sinais sem identificação.

Fotos confiscadas

Um fotojornalista de São José dos Campos teve fotos da “Noite dos OVNIs” confiscadas por um homem que se apresentou como cientista da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa). Segundo o fotógrafo Adenir Brito, o suposto representante da agência espacial foi até o jornal para recolher os negativos das imagens para análise, mas o material nunca foi devolvido e nenhum parecer foi apresentado. “Eles nunca devolveram esse material ou apresentaram um parecer sobre o que a análise das imagens”, contou ao g1 o fotógrafo Adenir Brito. Adenir guarda apenas o registro publicado em preto e branco na edição do jornal de 20 de maio de 1986.

Mistério sem explicação

De acordo com registros do Ministério da Justiça e da Aeronáutica, os objetos foram monitorados pelos radares em diferentes estados. Nenhum dos caças enviados conseguiu alcançar os alvos. Dias depois, o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, convocou uma coletiva de imprensa para falar sobre o caso. “Não se trata de acreditar ou não. Só podemos dar informações técnicas. As suposições são várias. Tecnicamente, diria aos senhores que não temos explicação”, declarou na época.

Um relatório assinado pelo brigadeiro José Pessoa Cavalcanti Albuquerque apontou que os fenômenos observados “são sólidos e refletem de certa forma inteligência”, pela capacidade de acompanhar aeronaves e voar em formação. O documento só foi divulgado oficialmente 23 anos depois, em 2009. “Hoje sabemos oficialmente que houve uma ocorrência aérea real e anômala. Os documentos liberados pela própria FAB reconhecem que objetos não identificados foram detectados visualmente e por radar, realizando movimentos considerados incomuns. Mesmo décadas depois, o caso segue sem uma explicação oficial conclusiva”, finalizou o ufólogo.

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