Tragédia familiar em acidente de lancha na divisa de SP e MG
Uma celebração de aniversário transformou-se em tragédia familiar quando uma lancha bateu em um píer no Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, na noite do último sábado (21). Entre as seis vítimas fatais estão Viviane Aredes, que completava 36 anos, e seu filho Bento, de apenas 4 anos, que haviam ido juntos comemorar a data especial.
Festa familiar que terminou em tragédia
Rosângela Teixeira, tia de Viviane, relatou que a sobrinha tinha ido inicialmente sozinha a um bar flutuante em Rifaina (SP), mas depois os filhos insistiram em se juntar à celebração. "Ela foi e depois ela mandou o menino, que quis ir com ela. A amiga dela passou e pegou o Bento e o outro filho dela. Foi comemorar o aniversário dela com os filhos", afirmou a familiar de 51 anos.
Segundo testemunhas, o grupo estava retornando de um bar em Rifaina para um condomínio em Sacramento (MG), às margens do rio, por volta das 22h, quando a embarcação colidiu violentamente contra a estrutura do píer. O impacto foi tão forte que parte dos ocupantes foi arremessada para fora da lancha, enquanto outros ficaram presos quando a embarcação virou na água.
Vínculo especial entre mãe e filho
Rosângela descreveu Viviane como uma mãe cuidadosa que equilibrava a vida familiar com momentos de lazer com amigos. "Ela passeava e os meninos ficavam com a avó. O Bento gostava da vó como se fosse mãe e ela deixava", contou.
Mas naquela semana fatídica, algo parecia diferente. "Bento quis ir com ela. Estava num apego muito grande com a mãe nessa semana, parece que estava até adivinhando", revelou a tia emocionada.
As vítimas e os sobreviventes
Além de Viviane e Bento Aredes, morreram no acidente:
- Wesley Carlos da Silva
- Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira
- Erica Fernanda Lima
- Outra mulher não identificada
Nove pessoas sobreviveram ao acidente, incluindo o outro filho de Viviane, que estava na embarcação mas conseguiu escapar com vida. As vítimas eram moradores de Franca (SP) que aproveitavam o final de semana em uma casa no lado mineiro da represa.
Investigações em andamento
As circunstâncias exatas do acidente ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais. Testemunhas relataram que o píer não estava iluminado no momento da colisão, o que teria dificultado a visão do piloto da lancha.
Contudo, a Defesa Civil de Rifaina apresentou imagens que indicam que o cais estava sim iluminado, criando uma contradição que as autoridades precisam esclarecer. Uma equipe da perícia oficial já esteve no local coletando informações cruciais para determinar as causas do acidente.
Resgate complexo e imagens chocantes
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o trabalho intenso de voluntários, mergulhadores e equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) durante as operações de resgate. As equipes trabalharam não apenas para retirar as vítimas da água, mas também para desvirar a lancha que havia ficado parcialmente submersa.
Fotos do local mostram a embarcação gravemente danificada após a colisão com a estrutura de concreto do píer, evidenciando a violência do impacto.
Família em estado de choque
Viviane e Bento Aredes foram sepultados às 10h desta segunda-feira (23) em Franca, cidade onde residiam. A família permanece em estado de profundo choque com a tragédia que tirou duas vidas de forma tão abrupta.
"Você sempre pensa que ela vai chegar a qualquer momento, hora que você fala o nome delas, você fica até arrepiada. Não pode ser não. Será que é verdade?", questiona Rosângela, ainda tentando processar a perda.
O acidente serve como triste alerta sobre os riscos da navegação noturna, especialmente em áreas com estruturas fixas como píeres, e levanta questões importantes sobre a sinalização e iluminação adequadas em vias navegáveis.
