Idoso de 78 anos desaparece no Rio Juruá ao transportar metais em canoa superlotada
Idoso desaparece no Rio Juruá com canoa carregada de metais

Idoso desaparece no Rio Juruá ao transportar carga de metais em canoa

Um homem de 78 anos, identificado como Salvino Gomes de Azevedo, está desaparecido desde a última quinta-feira, dia 5, após sua canoa sumir nas águas do Rio Juruá, nas proximidades da Ponte da União, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O idoso, que trabalhava com reciclagem, transportava uma carga significativa de metais na embarcação no momento do desaparecimento.

Buscas oficiais encerradas sem sucesso

A família registrou um boletim de ocorrência na sexta-feira, dia 6, e o 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros iniciou imediatamente as operações de busca. Conforme explicou o subcomandante em exercício, Rosenildo Pires, a guarnição realizou buscas superficiais e mergulhos na região, utilizando até mesmo um ímã devido à presença dos metais na carga.

"Durante toda a operação a guarnição indagou várias pessoas que ali trabalhavam ou se encontravam, todavia, não houve confirmação do afogamento por alguma testemunha ocular", afirmou Pires. Seguindo o protocolo estabelecido, as buscas oficiais foram encerradas às 17 horas do último sábado, dia 7, sem que a vítima fosse localizada.

Detalhes do desaparecimento e preocupação familiar

O filho do idoso, José Gomes de Azevedo, relatou que um vizinho auxiliou Salvino a empurrar a canoa, que seguia no rio em direção à sua residência, localizada na margem oposta. "Moramos todos perto, e o nosso vizinho me falou que a canoa estava até a tampa de ferro, tinha metal até nas pernas do meu pai, a canoa estava carregada demais", contou José ao descrever a cena.

Na noite de quinta-feira, um irmão de José percebeu a ausência do idoso e, juntos, iniciaram buscas pela casa e nas margens do Rio Juruá, sem obter resultados. No dia seguinte, amigos que trabalhavam na área compartilharam informações sobre os últimos momentos de Salvino.

"Meus amigos disseram que o viram atravessando até o meio do rio, mas foram almoçar e quando olharam para as águas, já não o encontraram mais. Tenho medo, pois a canoa estava muito pesada e ele usava uma bota sete léguas, o que dificultaria ele nadar se fosse preciso", expressou o filho, visivelmente abalado.

Vida à beira do rio e laços familiares

Salvino era viúvo e morava sozinho, apesar de ter cinco filhos. "Meu pai sempre viveu às margens do Rio Juruá, onde fazia o trajeto de travessia diariamente, já era acostumado. Ele aprendeu a nadar desde pequeno e era muito independente", complementou José, destacando a familiaridade do idoso com o ambiente aquático.

A família enfrenta dias de angústia e incerteza. "A gente fica sem saber o que fazer, até pensamos em ir atrás dele no rio, mas estava dando 12 metros [de profundidade] e seria muito perigoso, sobretudo devido aos balseiros no rio", explicou José. Ele admitiu que a situação tem impactado sua rotina: "Não tenho conseguido trabalhar pois fico olhando pro rio, e não gosto nem de pensar, é complicado demais passar por isso".

O desaparecimento ocorreu pouco após as comemorações de aniversário de Salvino, em julho, que tradicionalmente reunia a família. "Era um momento de festa, pois juntava o aniversário de nós três e era uma alegria. Tanto eu quanto a minha filha éramos muito apegados ao meu pai. A minha menina ainda está chorosa, e disse que viu meu pai aqui na varanda de casa, todos já choramos muito com essa situação", lamentou José, emocionado.

Até o momento, as autoridades não têm novas pistas sobre o paradeiro de Salvino Gomes de Azevedo, deixando a família em um limbo de esperança e apreensão.