Tripulantes ganenses sem visto permanecem confinados em navio africano no Porto de Fortaleza
Ganenses sem visto confinados em navio africano em Fortaleza

Tripulantes ganenses sem visto permanecem confinados em navio africano no Porto de Fortaleza

Nove tripulantes ganenses resgatados após quase dois meses à deriva no Oceano Atlântico seguem confinados dentro de um navio africano atracado no Porto de Fortaleza, nesta sexta-feira (3), feriado nacional da Paixão de Cristo. A situação ocorre porque eles não possuem visto para entrar no território brasileiro, conforme apurou a TV Verdes Mares.

Restrições de circulação e atendimento humanitário

Das 11 pessoas resgatadas pela Marinha do Brasil, apenas dois tripulantes europeus – um holandês e um albanês – têm autorização para circular. O holandês está hospedado em um hotel com recursos próprios, enquanto o albanês permanece no navio junto com os africanos. Sem visto, os ganenses só podem transitar pelo Brasil na companhia de uma autoridade, exigindo uma concessão de desembarque condicional que ainda está sendo analisada.

A Polícia Federal aguarda um ofício da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará para regularizar a situação migratória. Enquanto isso, a Política Estadual para Migrantes e Refugiados, ligada à secretaria, atua no acolhimento dos tripulantes. "Homens hipertensos que estavam há mais de 40 dias sem a medicação, com problemas também de diabetes e outras patologias", relatou a coordenadora Jamina Teles.

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Condições precárias e resgate marítimo

O grupo foi resgatado com condições mínimas de higiene, restrições no acesso à água potável, elevado nível de estresse psicológico e falta de comunicação com familiares. Na última quinta-feira (2), receberam atendimento médico completo na UPA da Praia do Futuro e cestas básicas para o feriadão.

A embarcação partiu do Senegal com destino a Guiné-Bissau para atualizações documentais, mas teve um problema hidráulico que impediu a comunicação satelital e via rádio. A única forma de contato era por VHF, limitada a navios próximos. A Capitania dos Portos busca contato com a empresa responsável para orçar o conserto.

Operação de resgate da Marinha do Brasil

O resgate envolveu uma complexa operação:

  1. No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para interceptar o navio africano.
  2. A Corveta Caboclo saiu de Salvador (BA) para auxiliar em Fortaleza (CE).
  3. O Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo desatracou de Natal (RN), resgatou a embarcação e a rebocou até o Porto de Fortaleza, onde chegou em 27 de março.

O Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Jorge José de Moraes Rulff, destacou: "O êxito no cumprimento da missão reside na integridade física e psicológica dessas 11 vidas que poderão, em breve, voltar para os seus lares". A Polícia Federal continua verificando a situação migratória em articulação com a Marinha e outros órgãos, observando preceitos humanitários e a legislação vigente.

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