Criança é internada após ingerir suco contaminado com cacos de vidro em restaurante
Uma criança precisou de internação hospitalar após consumir um suco de manga que continha fragmentos de vidro em um restaurante localizado no centro de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O incidente ocorreu na tarde de segunda-feira, dia 30, e expôs graves falhas no atendimento ao consumidor e na segurança alimentar do estabelecimento.
Relato detalhado do ocorrido
De acordo com o depoimento da mãe, ela e a filha estavam almoçando no restaurante quando pediram a bebida. A criança foi a primeira a experimentar o suco e imediatamente reclamou de um gosto estranho. "Quando passei a mão na boca da minha filha, comecei a retirar cacos de vidro. Ela cuspiu vários pedaços", relatou a mulher, que preferiu não se identificar.
Ao provar a bebida, a mãe afirma que ingeriu rapidamente o líquido e sentiu fragmentos cortantes na boca e na garganta. Ambas começaram a cuspir pedaços do material vítreo, em uma cena de desespero que poderia ter tido consequências ainda mais graves.
Falta de socorro imediato do estabelecimento
Segundo o relato, quando a responsável pelo restaurante foi chamada à mesa e constatou a presença dos fragmentos de vidro, limitou-se a recolher os copos e a jarra, levando-os para a cozinha sem oferecer qualquer tipo de assistência médica ou suporte. A mãe afirma que deixou o local sem receber ajuda e precisou buscar atendimento por conta própria.
A criança foi levada urgentemente para a Unidade de Pronto Atendimento pediátrica da cidade, onde passou por uma série de exames médicos e precisou ser internada para observação. Posteriormente, foi encaminhada para acompanhamento com um gastropediatra especializado e só recebeu alta na terça-feira, dia 1°.
Tentativas frustradas de responsabilização
A mãe relata que tentou contato com o restaurante para solicitar ajuda com os custos médicos e outras despesas decorrentes do incidente, mas não obteve qualquer retorno. "Não prestaram socorro no momento do ocorrido e nem depois ofereceram ajuda. Tentei contato para que pelo menos pagassem a consulta com o gastropediatra, que custa R$ 350, mas não tive resposta", desabafou.
Ela também afirmou que procurou uma delegacia para registrar o ocorrido, mas encontrou dificuldades burocráticas. Segundo seu relato, o delegado de plantão informou que não poderia atender naquele momento devido a problemas no sistema informatizado. A mãe informou que pretende registrar o boletim de ocorrência através do canal online disponibilizado pela polícia.
Ações regulatórias em andamento
Em nota oficial, o Procon informou que vai adotar todas as medidas cabíveis para a fiscalização do estabelecimento envolvido no caso. O órgão de defesa do consumidor destacou a gravidade do incidente e a necessidade de apuração rigorosa das condições de higiene e segurança alimentar no local.
O g1 tentou contato com o restaurante para obter a versão dos fatos, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem. A Polícia Civil também foi procurada para esclarecer a suposta indisponibilidade do sistema para registro de ocorrências no momento em que a mãe tentou formalizar a denúncia.
Este caso levanta importantes questões sobre:
- A segurança alimentar em estabelecimentos comerciais
- A responsabilidade dos comerciantes em situações de emergência
- A necessidade de protocolos claros de atendimento a acidentes
- O acesso da população aos canais de denúncia e fiscalização
A família aguarda as investigações enquanto lida com as consequências físicas e emocionais do trauma vivido pela criança, que felizmente não sofreu lesões mais graves com a ingestão dos fragmentos de vidro.



