Empresário perde a vida em colisão de jet skis no Espírito Santo
Um trágico acidente envolvendo motos aquáticas resultou na morte do empresário Renan Pedro Figueiredo, de 35 anos, no último domingo (8), em Vitória, capital do Espírito Santo. O fato ocorreu no canal de Camburi, próximo ao bairro Goiabeiras, por volta das 15h40, quando duas embarcações colidiram frontalmente.
Sonho realizado há poucos dias
Segundo informações da esposa, Michelly Figueiredo, o jet ski pilotado por Renan havia sido adquirido apenas dois dias antes do acidente. "Era um sonho dele, estava muito feliz e realizado com a conquista", relatou a mulher, visivelmente abalada. O casal, que estava junto há 16 anos e tem uma filha de 12 anos, havia comemorado a compra no dia anterior.
Michelly contou que quase acompanhou o marido no passeio: "Era para eu estar junto com ele. Eu só não fui porque hoje é dia da mulher, a minha mãe foi almoçar na minha casa". Ela destacou as qualidades do esposo: "O marido que ele foi, o pai que ele é, o filho que ele é. Ele é bom para todo mundo".
Detalhes do acidente
O empresário pilotava uma das motos aquáticas que colidiu com outra conduzida por seu próprio tio. Testemunhas relataram que ambos haviam saído da Marina Bay, localizada no bairro Santa Lúcia, onde embarcações são guardadas e alugadas. Eles percorriam o canal de Camburi, passando pela Ponte da Passagem, quando ocorreu o choque.
O pescador Guilherme Oliveira, que presenciou o acidente e participou do resgate, descreveu a cena: "Eu estava pescando com meu pai e escutei a batida. Falei: 'essa batida foi feia, vamos lá ver o que aconteceu'". Segundo ele, havia vários jet skis no canal naquele momento.
Guilherme acredita que manobras estavam sendo realizadas: "Acredito que eles estavam fazendo redemoinho com o jet ski. Para não bater de frente, o rapaz tentou tirar da frente, mas não deu tempo e o outro jet ski pegou bem na lateral do rosto dele".
Resgate complicado
O tio da vítima ficou desesperado tentando ajudar, mas enfrentou dificuldades devido à quantidade de embarcações no local. O pescador desceu de sua canoa para auxiliar no transporte do empresário ferido até a marina.
"Durante o trajeto, o resgate foi dificultado pelo grande número de motos aquáticas no canal", explicou Guilherme. A situação piorou quando o jet ski virou próximo à marina: "Sorte que já estávamos na beirada. Consegui levantar o rapaz e o pessoal da marina puxou ele para a rampa".
Uma médica que estava no local iniciou os primeiros socorros enquanto aguardavam a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas Renan não resistiu aos ferimentos.
Posicionamento oficial
A Marina Bay emitiu nota confirmando o acidente no Canal de Camburi e informando que as vítimas foram levadas para suas instalações logo após a colisão, recebendo suporte da equipe local. O estabelecimento destacou que acionou o Samu, a Polícia Civil e outras autoridades, oferecendo assistência durante toda a ocorrência, mas sem envolvimento direto no acidente.
Investigações em andamento
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Espírito Santo, enviou militares ao local para iniciar as averiguações. Segundo informações oficiais, ambos os condutores possuíam habilitação para pilotar motos aquáticas e a documentação das embarcações estava regular.
O tio da vítima realizou teste do bafômetro, que não apontou consumo de álcool. As causas e responsabilidades do acidente serão apuradas por meio de um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).
A família de Renan está devastada pela perda. O pai, Derly Carlini, descreveu o filho como "um menino nota 10": "Muito responsável, graças a Deus. Sempre foi honesto com as coisas dele. Sempre foi responsável pelo trabalho e, infelizmente, aconteceu esse fato. Eu fico muito triste, perdi um filho que eu sempre amei".
