Pedidos de demissão atingem recorde em 2025, impulsionados pelo comércio
Pedidos de demissão batem recorde em 2025

Os pedidos de demissão no Brasil atingiram um recorde histórico em 2025, com destaque para trabalhadores do setor de comércio. A vendedora Rafaella Azevedo, que recentemente trocou de emprego após sete anos na mesma empresa, exemplifica esse movimento. "Minha decisão foi pedir demissão para estar onde estou agora, mais alinhada ao que queria para minha vida", afirma.

Recorde de demissões voluntárias

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, 9,2 milhões de brasileiros pediram demissão em 2025, o maior número desde o início da série histórica em 2020. Esse total representa 36% de todas as demissões registradas no ano.

Economistas apontam que o comportamento reflete o aquecimento do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego no menor nível desde 2012. "Com mais ofertas, o trabalhador busca oportunidades melhores", explica Janaína Feijó, economista do FGV Ibre. "Após a pandemia, o mercado se aqueceu, beneficiando o trabalhador, pois as empresas expandem contratações e precisam reter mão de obra."

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Perfil dos trabalhadores que pedem demissão

A rotatividade é maior entre jovens de 18 a 29 anos, que respondem por quase metade dos pedidos. Também é elevada entre trabalhadores com ensino médio completo. "Os mais jovens têm menor custo para migrar, estão no início da carreira e testando o que gostam", diz Janaína.

O comércio concentrou o maior número de demissões voluntárias, especialmente vendedores. Muitas vezes, a troca não é por um cargo superior, mas pela mesma função, com atrativos como melhores condições de trabalho. "Há maior oferta e migração em ocupações de entrada, com menores salários, mas maior mobilidade", afirma Juliana Gagliardi, economista da FIEMG.

Motivações: salário, qualidade de vida e crescimento

Embora o salário seja relevante, outros fatores pesam na decisão. Rafaella destaca: "Eu não estava tendo tempo para além do trabalho. O novo emprego é mais próximo da minha residência." Qualidade de vida e possibilidade de crescimento profissional são determinantes. Questionada sobre onde quer chegar, ela responde: "Acredito que a uma gestão, supervisão, e ir galgando."

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