Menino de 4 anos reaprende a andar após sobreviver a queda do 10º andar em Ribeirão Preto
A fisioterapeuta Larissa Martins Garcia celebra com emoção a notável evolução do pequeno Brenno Fernandes Girdziauckas, de apenas 4 anos, que está reaprendendo a andar após sobreviver a uma queda do décimo andar de um prédio em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O acidente grave ocorreu em dezembro de 2025, deixando o menino com fraturas severas nas pernas que exigiram múltiplas intervenções cirúrgicas.
A evolução do Brenno é impressionante, surpreendente e muito gratificante, declarou Larissa. O Brenno está andando. Tudo o que eu quero é ver o Brenno brincando, feliz, jogando bola, soltando pipa, fazendo todas as brincadeiras que ele deseja fazer.
Estratégia cuidadosa de recuperação
Segundo a fisioterapeuta, a recuperação do menino tem sido tão extraordinária que a equipe precisou adotar uma abordagem cautelosa, reduzindo os estímulos durante as sessões para não antecipar etapas cruciais do tratamento. Larissa explica que permitir que Brenno desse os primeiros passos sozinho antes da consolidação completa dos ossos poderia representar um retrocesso significativo.
Em determinado momento, percebemos que ele estava muito solto, o que poderia levá-lo a andar precocemente, afirmou. Mas andar precocemente poderia ser arriscado para a parte óssea. Não poderíamos correr o risco de prejudicar a consolidação do osso. Em pé ele podia ficar, mas andar, não. Não freamos o Brenno, não o impedimos de fazer o que quisesse, mas também não estimulamos.
Recentemente, Brenno passou por um novo raio-x que trouxe ótimas notícias. Nessa nova radiografia foi constatado que a consolidação óssea estava satisfatória, comemorou Larissa. A partir do momento que osso cola, temos segurança para colocar o paciente de pé para ele andar. O osso passa a suportar o peso do corpo, não necessariamente suporta que o Breno, por exemplo, vá pular ou correr. Isso ainda não dá, é muito cedo. Mas o osso dele está colado, isso significa que suporta ele andar. Já é uma evolução muito grande e ele conseguiu.
Limitações e perspectivas promissoras
Apesar dos avanços, Brenno ainda enfrenta algumas limitações de marcha e está em processo de recuperação dos movimentos do joelho e do tornozelo. A fisioterapeuta, no entanto, mantém um olhar otimista sobre o futuro do pequeno paciente.
Ele precisa ganhar um pouquinho mais de força, ficou imobilizado bastante tempo, teve um trauma grave, explicou Larissa. Fazemos tudo junto: ganhamos amplitude, ganhamos força, damos confiança para ele se sentir seguro para fazer as mudanças de posição, a marcha, ajoelhar. É isso que estamos trabalhando nos últimos tempos.
A idade do menino tem sido um fator crucial nessa recuperação acelerada. O fato de ele ser uma criança pequena que tem muita plasticidade responde muito bem à recuperação do osso, à recuperação muscular, às amplitudes, destacou a profissional. O encorajamento da criança é diferente. Tudo isso favorece. O comportamento dele também é incrível.
Detalhes do acidente grave
O acidente ocorreu no dia 27 de dezembro, em um condomínio na Rua Marechal Deodoro, no Centro de Ribeirão Preto. Brenno, que é autista não verbal, conseguiu acesso à janela do banheiro do apartamento, que não contava com grade de proteção.
Sua mãe, psicóloga de profissão, relatou à polícia que estava com o marido próximo ao quarto quando ouviu um barulho forte. Ao perceber que o banheiro estava vazio, imediatamente associou que o filho tinha caído pela janela. A mulher correu até o térreo e encontrou a criança caída na área comum, consciente, mas com lesões gravíssimas.
O boletim de ocorrência registrou que a queda de dez andares pode ter sido amortecida após o menino se chocar contra uma janela do andar inferior e um corrimão do prédio antes de atingir o solo. A criança sofreu fratura bilateral do fêmur – quando as duas pernas são quebradas simultaneamente – além de politraumatismo.
Desde a internação na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, o garoto apresentou boa evolução, passou por três cirurgias complexas e recebeu alta no dia 18 de janeiro. A história de superação de Brenno continua a inspirar todos que acompanham seu processo de reabilitação.



