Tragédia familiar no Piauí: adolescente morre após ingerir pesticida armazenado em garrafa pet
A Polícia Civil do Piauí concluiu as investigações sobre o caso que chocou a cidade de Bertolínia, no Sul do estado. Michel dos Santos Messias, um adolescente de apenas 15 anos, faleceu após ingerir acidentalmente um pesticida altamente tóxico que estava armazenado em uma garrafa pet. O líquido foi confundido com cachaça, levando a uma sequência trágica de eventos que resultou na morte do jovem.
Investigação aponta negligência familiar
De acordo com o delegado João Ênio, titular da Delegacia Seccional de Uruçuí, os avós maternos da vítima foram indiciados pelo crime de homicídio culposo - quando não há intenção de matar. A investigação não encontrou evidências de que a morte tenha sido deliberada, mas sim resultado da falta de cuidado ao deixar uma substância perigosa acessível.
"A investigação não apontou que foi algo deliberado para causar a morte dele, que alguém familiar colocou. Não houve isso. O que a gente identificou é que os familiares, o avô dele, tinha plantação e ele usava material, esse inseticida, para matar as pragas", explicou o delegado durante entrevista.
Laudo do IML confirma intoxicação por metomil
O Instituto Médico Legal (IML) realizou análises toxicológicas que confirmaram a presença de metomil no organismo do adolescente. Este inseticida é conhecido por sua alta toxicidade tanto para humanos quanto para animais. As amostras foram coletadas durante a necrópsia e também do líquido encontrado na residência da família.
Para identificar a substância com precisão, foram analisadas:
- Amostras do material biológico retirado do corpo de Michel durante a necrópsia
- Duas amostras do líquido suspeito - uma entregue por familiares à médica do hospital e outra recolhida pela perícia na casa da família
Sequência dos fatos que levaram à tragédia
Os detalhes do caso revelam uma sucessão de eventos que culminaram na morte do adolescente. A avó materna, responsável pelo jovem, relatou à Polícia Militar que costumava armazenar bebidas alcoólicas em garrafas pet. Havia uma substância guardada no rack da residência há aproximadamente dois a três anos.
"Essa garrafa, ela tava no quintal, jogada num cômodo, um rack que tava jogado no quintal, e essa garrafa foi identificada pelo avô, que pegou e deixou lá. A avó repreendeu. Para ela, aquilo era uma cachaça guardada há um certo tempo. Ela pediu para o avô jogar [fora], ele não jogou, deixou na pia. O menino pegou e ingeriu, também pensando que era cachaça, e foi repreendido pela avó", relatou o delegado João Ênio.
Reação imediata e falecimento
Após ingerir o líquido, Michel começou a apresentar sintomas graves imediatamente. Uma prima da vítima descreveu a cena ao g1: "Ele estava na casa da avó dele e ingeriu uma bebida que estava numa pitchula. Tinha um cheiro muito forte. Quando ele bebeu, logo desmaiou".
O adolescente desenvolveu rapidamente:
- Mal-estar intenso
- Estado de confusão mental
- Agravamento progressivo do quadro clínico
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para prestar socorro, mas quando Michel chegou ao hospital, já havia falecido. O óbito ocorreu no dia 26 de janeiro, no bairro Caixa d'Água, em Bertolínia.
Sepultamento e coleta de amostras
O corpo do adolescente foi sepultado no Piauí enquanto o IML continuava a coletar amostras para complementar as investigações. O caso serve como um alerta trágico sobre os perigos de armazenar substâncias tóxicas em embalagens inadequadas, especialmente quando há possibilidade de confusão com produtos alimentícios ou bebidas.
A Polícia Civil enfatizou que, embora não tenha havido intenção de causar a morte, a negligência no armazenamento de produtos perigosos pode ter consequências fatais, especialmente em ambientes domésticos onde crianças e adolescentes estão presentes.



