Terminal Urbano de Rio Branco amanhece completamente vazio com paralisação total da frota de ônibus
Os motoristas do transporte coletivo de Rio Branco decidiram paralisar totalmente a frota de veículos nesta quarta-feira (22), resultando em um Terminal Urbano no Centro da capital completamente deserto, sem passageiros ou ônibus circulando. A ação grevista interrompeu abruptamente o serviço essencial para milhares de acreanos, evidenciando uma crise que se arrasta há anos no sistema de mobilidade urbana da cidade.
Prefeitura busca acordo emergencial para suspender paralisação
Em resposta à paralisação, o prefeito Alysson Bestene (PP) afirmou ter se reunido com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac) para ouvir as demandas da categoria. Foi estabelecido um acordo provisório, no qual o movimento concederia um prazo de 48 horas para suspender as paralisações, enquanto a gestão municipal trabalha na adoção de medidas que garantam a normalização do transporte e o respeito aos trabalhadores e usuários.
A empresa responsável pela gerência do serviço, Ricco Transportes e Turismo, que opera sob contrato emergencial desde fevereiro de 2022, também foi convocada para uma última rodada de negociações. A Ricco alega prejuízos financeiros significativos, projetando perdas de R$ 8 milhões em 2025, o que agrava a instabilidade do sistema.
Suspensão de licitação complica cenário e gera questionamentos
Paralelamente à paralisação, a Comissão Especial de Licitação (CEL) suspendeu o edital de licitação do transporte coletivo, publicado em 12 de março, que previa a concessão do sistema por 10 anos com valor global estimado em R$ 1.011.019.747,20. Quatro pedidos de impugnação, apresentados por três empresas e uma pessoa física, motivaram a interrupção do processo.
Segundo o secretário-adjunto de Gestão Administrativa, Erick Silva de Oliveira, a suspensão permite uma análise mais detalhada dos questionamentos, que incluem:
- O formato presencial da concorrência, quando a intenção inicial era eletrônica;
- A planilha de custos fixada em R$ 10,94 por quilômetro rodado;
- O valor da tarifa de referência para o usuário, mantida em R$ 3,50.
Caso ocorram alterações, o edital será republicado, com um novo prazo para envio de propostas, estimado em cerca de 30 dias, embora não haja data definida para conclusão.
Usuários relatam dificuldades crônicas e cobram melhorias urgentes
Enquanto o processo de licitação permanece suspenso e a paralisação impacta o dia a dia, usuários do transporte coletivo expressam frustração com o serviço precário. A diarista Mariana Batista destacou que a demora na chegada dos ônibus afeta diretamente sua rotina de trabalho, podendo levar até a demissões. "A gente passa mais de duas horas esperando esse ônibus e ele não aparece", lamentou.
O profissional de marketing Hugo Costa criticou a desvalorização do povo acreano, enquanto a dona de casa Maria Alves reclamou do tempo excessivo de espera nas paradas. O sistema atende cerca de 1 milhão de passagens por mês, com projeção de chegar a 1,2 milhão, mas as instabilidades persistem desde a saída da Empresa Auto Viação Floresta, há mais de dois anos.
A crise no transporte público de Rio Branco reflete desafios estruturais que exigem soluções imediatas e duradouras, envolvendo sindicatos, empresas e poder público em um esforço conjunto para restabelecer a normalidade e garantir um serviço de qualidade para a população.



