Paralisação de ônibus em Rio Branco causa espera de até 4 horas e revolta na população
Paralisação de ônibus em Rio Branco causa espera de 4 horas

Paralisia no transporte coletivo de Rio Branco gera caos e longas esperas

O sistema de transporte público da capital acreana enfrenta uma grave crise operacional desde quarta-feira (15), quando motoristas e trabalhadores do setor iniciaram uma paralisação parcial em protesto por atrasos salariais e violações de direitos trabalhistas. A empresa Ricco Transportes, responsável pela operação do sistema na cidade, não se pronunciou sobre as acusações, deixando milhares de usuários em situação precária.

Redução drástica na frota e tempos de espera exorbitantes

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a oferta de ônibus sofreu reduções significativas em diferentes horários do dia. Nos períodos de pico, entre 6h e 9h, a diminuição chega a 30%, enquanto nos horários de menor demanda, das 9h às 17h, a queda atinge impressionantes 50%. No final da tarde, entre 17h e 19h, a redução permanece em 30%, agravando o deslocamento da população trabalhadora.

Passageiros relatam esperas de até quatro horas no Terminal Urbano, localizado no Centro de Rio Branco, conforme depoimentos colhidos pela Rede Amazônica Acre. A vendedora Cristiana Fonseca desabafou sobre a situação caótica: "O São Francisco/Via Incra é o pior ônibus que tem, demora mais de quatro horas. A gente espera, não tem o que fazer. Quem tem que ir para casa cedo está morando no terminal".

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Problemas crônicos e impacto na rotina dos cidadãos

João Lima, que trabalha como padeiro, destacou como a paralisação afeta diretamente sua jornada diária: "A gente tem que sair mais cedo de casa e, às vezes, preciso caminhar uma faixa de 800 metros a 1 quilômetro para poder pegar outro ônibus". Ele ainda ressaltou que os problemas de pontualidade no transporte público são constantes, mesmo antes do início da atual paralisação.

Os usuários já reclamavam há tempos da má qualidade do serviço, e a redução na frota apenas intensificou as dificuldades. Muitos veículos apresentam problemas mecânicos ou simplesmente não circulam nos horários estabelecidos, deixando passageiros em situação de vulnerabilidade.

Crise recorrente no sistema de transporte acreano

Esta não é a primeira interrupção no serviço neste ano. Em 14 de março, a própria Ricco Transportes determinou que os ônibus não circulassem, alegando problemas nos veículos e falta de manutenção nas ruas da cidade, paralisando 31 linhas. Na ocasião, o serviço foi normalizado apenas por volta das 9h do mesmo dia.

A situação se repete quase um mês depois, com trabalhadores novamente cobrando o pagamento de salários e benefícios atrasados. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte confirma que as reivindicações são as mesmas: regularização das pendências trabalhistas e garantia de direitos básicos.

Contexto histórico e financiamento problemático

A Ricco Transportes opera o sistema de transporte coletivo de Rio Branco desde 2022 através de contratos emergenciais renovados a cada seis meses. Esta medida foi adotada após o abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta, deixando a capital acreana sem operador regular.

Para manter o serviço funcionando, a Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio à empresa no valor de R$ 3,63 por passageiro transportado. Este mecanismo permite que a tarifa para os usuários se mantenha em R$ 3,50, evitando reajustes que pesariam ainda mais no bolso da população.

Entretanto, o histórico de repasses públicos revela problemas estruturais. Em 2021, o município destinou mais de R$ 2,4 milhões às empresas de ônibus, quantia que foi utilizada exclusivamente para pagar parte dos salários atrasados de 2020 dos funcionários. Este cenário demonstra a fragilidade financeira do sistema e a dependência de recursos públicos para sua manutenção básica.

A crise no transporte coletivo de Rio Branco se arrasta há anos, com paralisações recorrentes, reclamações constantes dos usuários e um modelo de gestão que parece incapaz de garantir um serviço mínimo de qualidade. Enquanto trabalhadores cobram seus direitos e passageiros enfrentam esperas intermináveis, a solução definitiva para o problema permanece distante.

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