Metrô de São Paulo estende operação noturna por mais seis meses em fase experimental
O Metrô de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (4) a ampliação do período de teste da operação 24 horas nas madrugadas entre sábados e domingos. A iniciativa, que estava prevista para terminar em fevereiro, agora se estenderá até o final de agosto, totalizando mais seis meses de avaliação. A circulação ocorre da meia-noite até as 4h40 da manhã desde 6 de dezembro do ano passado, abrangendo as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata.
Funcionamento e regras da operação noturna
Durante esse horário especial, os trens circulam com intervalos médios de 20 a 30 minutos, e todas as estações das linhas participantes permanecem abertas para embarque e desembarque. No entanto, não há integração com as linhas 4-Amarela, 5-Lilás ou com os Trens da Viamobilidade, da CPTM e da TICTrens. Essa exclusão se deve à resistência das concessionárias privadas, que argumentam sobre os custos elevados e a baixa demanda de passageiros nesses horários.
O Metrô detalhou que, excepcionalmente, nos trechos da Linha 2-Verde entre as estações Vila Madalena e Clínicas e entre Sacomã e Vila Prudente, os trens operarão por uma única via nos dois sentidos. No restante da linha, bem como nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha, a operação seguirá pelas duas vias de circulação. Após o período de teste, a oferta será reavaliada e poderá ser ajustada conforme a demanda observada nos fins de semana.
Resistência das linhas privatizadas e impactos para os usuários
Enquanto o Metrô avança com a expansão do horário noturno, as concessionárias ViaMobilidade e ViaQuatro, responsáveis pelas linhas 5-Lilás e 4-Amarela, respectivamente, não aderiram à medida. Em comunicado, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) afirmou que esta é uma iniciativa exclusiva do Metrô, em regime experimental, e que as concessionárias manterão o funcionamento vigente.
Executivos das empresas privadas, ouvidos sob condição de anonimato, criticaram a decisão do Metrô, descrevendo-a como monocrática e sem debate prévio com as demais operadoras do sistema. Eles alegam que os custos da operação noturna não são cobertos pela tarifa devido à baixa demanda, exigindo uma contrapartida financeira do governo e um aditivo contratual para viabilizar a participação.
Essa resistência gera impactos diretos para os passageiros. Usuários que dependem de conexões com as linhas 4-Amarela e 5-Lilás terão de aguardar o início da operação regular, às 4h40 do domingo, para continuar suas viagens. Nas redes sociais, muitos comemoraram a extensão do horário, mas expressaram frustração com a falta de integração completa do sistema.
Alternativas de pagamento e serviços disponíveis
Durante a operação noturna, as bilheterias não funcionam, mas os passageiros têm várias opções para adquirir bilhetes. É possível utilizar máquinas de autoatendimento, a Carteira Google ou o WhatsApp (11 3888-2200). Nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha, também é permitido o pagamento por aproximação com cartões físicos de crédito e débito, uma facilidade que será estendida às linhas 2-Verde e 15-Prata ao longo de dezembro.
A decisão do Metrô reflete um esforço para melhorar a mobilidade urbana na capital paulista, especialmente em horários tradicionalmente com poucas opções de transporte. No entanto, a falta de adesão das linhas privatizadas destaca os desafios de coordenação entre setores público e privado, podendo limitar a eficácia da iniciativa para muitos usuários que dependem de integrações entre diferentes modais.



