Greve paralisa transporte público em Divinópolis e tarifa sobe para R$ 6,00
Greve paralisa ônibus em Divinópolis e tarifa sobe para R$ 6

Greve de motoristas paralisa transporte público e provoca aumento de tarifa em Divinópolis

A cidade de Divinópolis enfrenta uma grave crise no transporte coletivo nesta sexta-feira (17), com uma greve dos motoristas que praticamente paralisou a circulação de ônibus. Diante do cenário crítico, a Prefeitura Municipal decretou situação de emergência no sistema e autorizou um significativo reajuste nas tarifas, que passam a valer a partir do dia 1º de maio.

Paralisiação afeta 70 mil usuários e deixa cidade sem ônibus

A greve, iniciada após impasse nas negociações entre trabalhadores e empresas, contou com a adesão de aproximadamente 280 motoristas, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintrrodiv). Com os veículos retidos nas garagens durante a manhã, cerca de 70 mil usuários que dependem diariamente do transporte público foram diretamente impactados pela paralisação.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de aproximadamente R$ 3 mil para R$ 4 mil, reajuste no valor do ticket alimentação de R$ 700 para R$ 1 mil, redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, manutenção do plano de saúde e incorporação de R$ 450 ao salário, valor atualmente pago como gratificação. Sem acordo formal apresentado pelas empresas, o sindicato manteve a greve, operando com apenas 20% da frota disponível.

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Prefeitura decreta emergência e autoriza aumento tarifário

Em resposta à crise, a Prefeitura de Divinópolis oficializou a situação de emergência através do decreto nº 17.324/26 e definiu o novo valor da tarifa pelo decreto nº 17.325/26. A passagem em dinheiro sobe de R$ 4,15 para R$ 6,00, representando um aumento de 44,5%, enquanto no cartão Divpass o valor passa para R$ 5,50, alta de 32,5%.

O decreto de situação de emergência tem validade inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação. Segundo a administração municipal, as medidas foram adotadas para evitar um colapso ainda maior do sistema e garantir que a população não fique totalmente sem transporte.

Medidas emergenciais para atender população

Diante do colapso no transporte, a Prefeitura autorizou uma série de ações imediatas, incluindo:

  • Contratação emergencial de serviços de transporte
  • Liberação de vans, micro-ônibus e outros veículos regularizados para atender a população
  • Acionamento da Justiça para garantir retomada do serviço e cumprimento da frota mínima de 30%
  • Abertura de investigação pela Controladoria para apurar possíveis abusos durante a paralisação

Equipes e veículos poderão ser credenciados diretamente pela Prefeitura para atender serviços essenciais, com prioridade para áreas como saúde e segurança pública.

Aumento tenta evitar colapso financeiro do sistema

Segundo a Prefeitura, o reajuste tarifário se tornou necessário porque o sistema já não se sustentava financeiramente. O executivo municipal justifica que o custo real da passagem ultrapassa R$ 6,50, enquanto o valor anterior estava defasado. O prejuízo acumulado em 2026 já passa de R$ 10 milhões, mesmo com cerca de R$ 8 milhões investidos para conter o aumento da tarifa.

A prefeita também destacou que o reajuste impacta diretamente o subsídio mensal pago à empresa, atualmente em torno de R$ 2 milhões. A medida busca estabilizar um sistema que enfrenta dificuldades estruturais e financeiras há meses.

Créditos mantidos e novo modelo em estudo

Para amenizar os impactos aos usuários, quem já possui créditos no cartão Divpass poderá utilizá-los normalmente por até 60 dias após a implementação das novas tarifas. A Prefeitura informou ainda que já iniciou estudos para um novo modelo de transporte coletivo, com previsão de licitação em 2027, com o objetivo de reestruturar completamente o sistema na cidade.

A situação em Divinópolis reflete os desafios enfrentados por muitas cidades brasileiras na manutenção de sistemas de transporte público sustentáveis, equilibrando necessidades dos trabalhadores, capacidade financeira das empresas e acesso da população a um serviço essencial.

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