Greve de rodoviários entra no terceiro dia e paralisa transporte público em São Luís
Greve de ônibus afeta São Luís no terceiro dia sem acordo

Greve de rodoviários paralisa São Luís e entra no terceiro dia sem acordo

A paralisação parcial dos rodoviários do sistema urbano de São Luís completou seu terceiro dia neste domingo (15), sem qualquer previsão de acordo entre trabalhadores e empresários. O movimento grevista, deflagrado na sexta-feira (13), tem como principal motivação o atraso no pagamento do reajuste salarial, conforme denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema).

Impactos na população e sistema de transporte

Com os coletivos fora de circulação desde o início da greve, milhares de pessoas enfrentam dificuldades significativas para se deslocar pela capital maranhense. Esta é a segunda vez em menos de três meses que São Luís sofre com uma paralisação do transporte por ônibus, evidenciando uma crise recorrente no setor.

Embora o sistema semiurbano – que atende bairros de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar – continue operando normalmente, esses veículos não estão acessando os terminais de integração de São Luís, limitando ainda mais as opções de mobilidade.

Reivindicações dos trabalhadores e resposta das autoridades

Segundo Marcelo Brito, presidente do Sttrema, nenhum rodoviário recebeu o salário com o aumento acordado na última paralisação e determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho. A situação ocorre mesmo com empresas exibindo placas de contratação de motoristas, o que, para os grevistas, não resolve o problema central do não pagamento do reajuste.

Em resposta à crise, a Prefeitura de São Luís adotou medidas emergenciais:

  • Liberação de vouchers através de aplicativo de transporte para usuários cadastrados
  • Ação judicial pedindo declaração de abusividade da greve
  • Solicitação de medidas que assegurem circulação mínima do transporte coletivo

Disputa entre Prefeitura e empresas de transporte

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) afirma cumprir regularmente todas as obrigações financeiras com o sistema, realizando repasses de subsídios em dia. No entanto, o sindicato das empresas (SET) contesta essa versão, alegando que o subsídio municipal permanece congelado desde janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos e aumento generalizado de custos.

O SET também destaca outros fatores agravantes:

  1. Aumento significativo no preço do diesel
  2. Falta de comparecimento da SMTT em audiências trabalhistas
  3. Reiterado descumprimento contratual por parte do Município

Investigação do Ministério Público e histórico de paralisações

A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão conduz inquérito civil apurando falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão do sistema. A investigação abrange:

  • Município de São Luís
  • Sindicato das Empresas de Transporte (SET)
  • Consórcios operadores (Central, Via SL e Upaon-Açu)
  • Empresa Viação Primor Ltda.

Nos últimos seis anos, a capital maranhense enfrentou pelo menos dez paralisações no sistema de transporte, sendo a mais extensa em 2022, com 43 dias de greve. A última interrupção, encerrada em janeiro após oito dias, só foi resolvida com intervenção do MP-MA e garantia de pagamento de salários atrasados.

Com aproximadamente 4,5 mil a 5 mil trabalhadores no sistema de transporte da Grande São Luís, a atual greve expõe problemas estruturais crônicos que afetam diretamente a qualidade de vida da população e a eficiência da mobilidade urbana na capital maranhense.