Câmara de Campinas aprova prorrogação do contrato de transporte público por até 2 anos
Campinas aprova prorrogação de contrato de transporte por 2 anos

Câmara de Campinas aprova prorrogação do contrato de transporte público por até 2 anos

A Câmara de Vereadores de Campinas (SP) aprovou, na noite desta quarta-feira (8), em primeira votação, o projeto de lei complementar que prorroga o contrato do transporte público em vigor na cidade. O texto original previa extensão de até três anos, mas uma emenda do líder do governo reduziu o prazo máximo para dois anos, com término previsto para 29 de abril de 2026.

Votação e debate político

A análise do projeto ocorre em meio à espera da finalização do processo de licitação, após leilão realizado em março. A proposta gerou debate entre parlamentares da base governista e da oposição, com manifestação contrária do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana às três anos iniciais.

Na votação, tanto o projeto quanto a emenda que reduz o prazo foram aprovados por 25 votos favoráveis e 6 contrários. Entre os vereadores que votaram a favor estão Ailton da Farmácia (PSB), Arnaldo Salvetti (MDB), Benê Lima (PL), Carlinhos Camelô (PSB) e Carmo Luiz (Republicanos). A oposição, com votos contrários, foi composta por Fernanda Souto (Psol), Guida Calixto (PT), Gustavo Petta (PCdoB), Mariana Conti (Psol), Paolla Miguel (PT) e Vini Oliveira (Cidadania).

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Cláusula resolutiva e próximos passos

Além de reduzir o prazo, a emenda aprovada reforça a cláusula resolutiva já presente no projeto original. Esta disposição assegura a extinção automática da prorrogação tão logo seja concluído o procedimento licitatório e iniciada a operação pelos novos concessionários.

Para que o contrato atual seja efetivamente prorrogado, a Casa Legislativa ainda precisa analisar e votar o mérito do projeto, o que deve ocorrer na próxima semana. Esta etapa é crucial para a continuidade do serviço de transporte coletivo na cidade.

Processo licitatório em andamento

O leilão realizado em março na B3, em São Paulo, definiu os ganhadores para operar o sistema de transporte público de Campinas pelos próximos 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 5 anos. Atualmente, a Comissão de Licitação analisa as planilhas enviadas pelas empresas vencedoras.

Esta fase de análise técnica não tem prazo estipulado pelo edital, sendo conduzida pelo tempo necessário para verificar a viabilidade econômica das propostas apresentadas. Apenas após essa avaliação é que o resultado será homologado.

O processo completo inclui várias etapas:

  1. Análise da Comissão de Licitação das planilhas para verificar viabilidade econômica
  2. Publicação do julgamento do resultado da licitação
  3. Período de 3 dias úteis para apresentação de recursos administrativos
  4. Homologação do processo após análise de recursos
  5. Criação das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) pelos vencedores
  6. Assinatura do contrato de concessão com a prefeitura
  7. Emissão da Ordem de Serviço pelo poder público
  8. Início da operação pelas novas concessionárias

Histórico complexo da licitação

A nova licitação do transporte público em Campinas enfrenta um atraso de mais de uma década. Inicialmente prevista para março de 2016, o processo foi prejudicado porque o Tribunal de Contas do Estado (TCE) avaliou como irregular a concorrência de 2005.

Desde então, a prefeitura enfrentou diversos obstáculos:

  • Em agosto de 2019, lançou primeira versão do edital, suspensa pelo TCE dois meses depois
  • Em novembro de 2019, o documento foi barrado pela Justiça
  • Com a anulação, a administração municipal recomeçou o processo
  • Novo edital publicado em dezembro de 2022 na gestão Dário Saadi
  • Em março de 2023, processo interrompido pelo TCE após contestação do Setcamp
  • Em maio de 2023, TCE determinou reformulação do edital com 14 correções
  • Licitação de setembro de 2023 declarada deserta por falta de ofertas
  • Processo recomeçado do zero com consultas públicas e audiências
  • Novo edital lançado em dezembro de 2025

Os estudos para adequações foram realizados pela Emdec e secretarias municipais, com apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A prefeitura recebeu 1,1 mil contribuições na consulta pública realizada entre abril e julho de 2025.

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