Novas imagens da queda da Ponte JK reacendem dor de familiares das vítimas
Mais de um ano após o trágico desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, que liga os estados do Tocantins e Maranhão, familiares das vítimas continuam enfrentando a dor da perda e cobram respostas sobre as indenizações prometidas. Novas imagens divulgadas nesta semana, que mostram o momento exato em que veículos foram arremessados com a queda da estrutura, reacenderam o sofrimento dos parentes, especialmente dos familiares da jovem Lorena Ribeiro, primeira vítima identificada do acidente.
Dor que não passa com o tempo
Lorena Ribeiro, que tinha 25 anos na época da tragédia, estava em uma motocicleta quando a ponte cedeu e seu veículo foi arremessado com o impacto violento da queda. Para sua irmã, Amanda Rodrigues, apesar do tempo decorrido, a dor da perda apenas se intensificou com a divulgação das novas imagens.
"Minha mãe, desde ontem, quando começou a questão dos vídeos, está sofrendo muito, chorando o tempo todo. Nós estamos todos chorando, todos sofrendo, porque justamente o vídeo pega o momento exato da morte dela através da câmera do caminhão. Parece que um ano se passou e a dor aumentou", relatou Amanda com emoção.
Indenizações sem previsão de pagamento
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que existem diversas ações judiciais em tramitação relacionadas ao caso, ajuizadas por particulares, entes públicos e organizações da sociedade civil. Nestas demandas, são discutidos diferentes tipos de indenização, incluindo:
- Danos materiais
- Danos morais
- Lucros cessantes
- Eventuais danos ambientais
No entanto, não há um prazo definido para quando essas indenizações começarão a ser efetivamente pagas às famílias atingidas. "Estão em tratativas, junto à Justiça Federal, iniciativas voltadas à realização de mutirões com foco na busca de soluções consensuais, com o objetivo de conferir maior celeridade e efetividade às respostas às famílias atingidas", afirmou o órgão em nota oficial.
Famílias sem qualquer apoio
Lorena deixou dois filhos e o sonho de cursar Direito quando sua vida foi interrompida tragicamente. Seu corpo foi encontrado no mesmo dia do desabamento, 22 de dezembro de 2024, mas desde então sua família não recebeu qualquer notícia concreta sobre indenizações.
"As famílias não foram indenizadas em nada, nenhuma família recebeu auxílio ou alguma ajuda, nenhum esposo, nenhum filho, nada. Para nenhuma das vítimas. Todas as vítimas estão sem nenhum apoio até hoje", denunciou Amanda Rodrigues, representando o sentimento de diversas famílias afetadas pela tragédia.
Relembrando a tragédia
A Ponte Juscelino Kubitschek colapsou por volta das 14h50 do dia 22 de dezembro de 2024, causando uma das maiores tragédias recentes na infraestrutura brasileira. No desabamento, caíram no Rio Tocantins:
- Três motocicletas
- Um automóvel
- Duas caminhonetes
- Quatro caminhões (dois carregando 76 toneladas de ácido sulfúrico e dois com 22 mil litros de defensivos agrícolas)
Curiosamente, a queda aconteceu no exato momento em que o vereador de Aguiarnópolis, Elias Júnior, filmava o local para denunciar os problemas estruturais da ponte às autoridades. Moradores de ambas as margens do rio já haviam alertado repetidamente sobre os riscos da estrutura comprometida.
Os escombros da ponte original passaram por implosão controlada em fevereiro de 2025, dando início às obras da nova estrutura na rodovia BR-226, que foi finalmente inaugurada exatamente um ano após a tragédia, em 22 de dezembro de 2025.
Complexidade processual atrasa soluções
O DNIT destacou em sua nota oficial a complexidade do caso, com diversas ações judiciais em diferentes fases processuais - incluindo fase inicial, produção de provas, análise judicial e tentativas de conciliação. Esta variedade de estágios demanda tratamento individualizado de cada demanda, dificultando uma solução uniforme e rápida para todas as famílias afetadas.
As famílias interessadas devem acompanhar o andamento de seus processos através de seus advogados, no caso de ações individuais, ou por meio do Ministério Público e associações representativas, nas ações coletivas. Eventuais pagamentos dependerão do regular andamento processual e ocorrerão por meio de requisições judiciais específicas, após decisão definitiva dos tribunais.



