AND recebe com cautela projeto que recoloca nomes de estados e cidades em placas de veículos
Projeto para recolocar nomes de estados em placas é recebido com cautela

Associação Nacional dos Detrans manifesta cautela sobre mudança nas placas de veículos

A Associação Nacional dos Detrans (AND) declarou ter recebido com cautela a aprovação, pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, do projeto de lei que propõe recolocar os nomes dos estados e dos municípios nas placas dos veículos. Caso se torne lei, a AND alerta que "as mudanças tendem a impor novos custos ao cidadão, sem que haja, até o momento, evidências claras de ganhos efetivos em termos de segurança pública ou eficiência na fiscalização".

Entenda o projeto que pode alterar as placas de veículos no Brasil

O texto, que modifica o Código de Trânsito Brasileiro, foi aprovado pelo Senado em junho de 2024. Na Câmara dos Deputados, ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), sem prazo definido para ocorrer. Se não houver modificações pelos deputados, o projeto poderá seguir para a sanção do presidente da República.

O argumento central da proposta é que a presença da informação sobre o estado e o município auxilia o trabalho de fiscalização, permitindo que as autoridades policiais identifiquem com mais facilidade a origem de um veículo em situações de:

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  • Roubo
  • Furto
  • Infração de trânsito

Preocupações com o atual modelo de placas

De acordo com a AND, o atual modelo de placas ainda enfrenta desafios de consolidação e uniformização em todo o país. A entidade acrescenta que "alterações estruturais neste momento podem ampliar a fragmentação do sistema, gerar inconsistências operacionais e dificultar avanços necessários na padronização".

Contexto do padrão Mercosul

A placa padrão Mercosul tornou-se obrigatória no Brasil no início de 2020. Desde então, esse modelo deve ser seguido em:

  1. Emplacamentos de automóveis novos
  2. Transferências de propriedade com alteração do município
  3. Casos em que a placa antiga sofra dano, furto, roubo ou perda

Uma das principais características da placa Mercosul é a combinação diferente de sete caracteres alfanuméricos.

Detalhes sobre o serviço de emplacamento

O serviço de emplacamento é realizado pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), com custos variando de estado para estado. Para veículos novos, são comumente cobradas duas taxas:

  • Uma inicial, para a solicitação da nova placa
  • Outra, para a vistoria

Nos demais casos, como na atualização da placa cinza para o padrão Mercosul ou da placa amarela para o modelo atual, é feita uma única cobrança. Em Minas Gerais, por exemplo, o primeiro emplacamento tem um custo total de R$ 283,71, dividido em taxa inicial de R$150,54 e taxa de vistoria de R$133,17.

Decisão recente do Supremo Tribunal Federal

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a validade de uma norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece que os serviços de fabricação e estampagem de placas de identificação de veículos serão feitos por meio do credenciamento de empresas interessadas sem licitação. O STF julgou improcedente a ação proposta pela Associação Nacional dos Fabricantes de Placas contra essa resolução do Contran.

A associação alegava que a atuação do Contran seria contrária à autonomia dos estados e que os Detrans teriam a possibilidade de contratação ilegal e inconstitucional, permitindo a instalação de placas de identificação em desacordo com as normas internacionais.

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