Passarela em Belém é interditada e será desmontada após risco de queda na Avenida Júlio César
Passarela em Belém interditada por risco de queda será desmontada

Passarela em Belém é interditada e será desmontada após risco de queda na Avenida Júlio César

A Prefeitura de Belém confirmou nesta segunda-feira, 9 de junho, que o vão central da passarela localizada na avenida Júlio César, com aproximadamente 36 metros de extensão, começará a ser desmontado a partir desta terça-feira, 10 de junho. A estrutura foi interditada na sexta-feira, 6 de junho, após a identificação de um risco iminente de queda, levantando preocupações sobre a segurança pública e os impactos no tráfego urbano.

Bloqueio do tráfego e organização do trânsito

O tráfego de veículos na avenida Júlio César será completamente bloqueado nos dois sentidos, entre a rua Pedro Álvares Cabral e o Conjunto Bela Vista, a partir das 20 horas desta terça-feira. A previsão é que o trecho seja liberado em até 24 horas após o término da operação de desmonte. Durante esse período, equipes da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) estarão no local para organizar o fluxo de veículos e orientar os motoristas.

De acordo com Isaias Reis, diretor de Transporte da secretaria, 16 agentes atuarão em pontos estratégicos para minimizar os impactos no tráfego. "Teremos agentes nos acessos a partir do viaduto da Pedro Álvares Cabral, no Conjunto Bela Vista e na subida do elevado pela Centenário. O trânsito deverá se desviar principalmente pelas avenidas Almirante Barroso e Artur Bernardes", explicou ele, destacando os esforços para garantir a fluidez do tráfego durante a intervenção.

Desmonte preventivo e análise estrutural

O desmonte será realizado com guindastes de grande porte, e as peças da passarela serão transportadas para um espaço técnico, onde passarão por uma análise detalhada para identificar as causas da falha estrutural. Arnaldo Dopazo, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), afirmou que a estrutura segue estável e é monitorada por técnicos com auxílio de topógrafo, mas a decisão de agir de forma preventiva foi tomada para garantir a segurança futura.

"A prioridade é garantir que, quando for reinstalada, ela ofereça total segurança para os pedestres", reforçou Dopazo. A remoção foi decidida em conjunto com o Consórcio Igarapé São Joaquim, responsável pela obra, e todos os custos da desmontagem, transporte e eventual reforço estrutural serão bancados pelo consórcio, sem ônus para a Prefeitura de Belém.

Histórico de falhas e investigação em andamento

Esta não é a primeira vez que a passarela apresenta problemas. Em outubro de 2025, logo após sua instalação, uma carreta quase ficou presa ao passar sob a estrutura, e dias depois, dois caminhões-cegonha ficaram retidos, causando engarrafamentos e obrigando técnicos a elevar a altura da passarela de 4,5 para 5,2 metros. Após o incidente mais recente, a Prefeitura abriu um procedimento administrativo para apurar as causas e possíveis responsabilidades técnicas do consórcio.

O Consórcio Igarapé São Joaquim, formado pelas empresas Construbase Engenharia e HTBR Arquitetura e Engenharia, emitiu uma nota afirmando que seu corpo técnico está "totalmente mobilizado" e atua com prioridade máxima para identificar as causas da falha e definir soluções de engenharia que eliminem riscos e minimizem impactos à população.

Contexto da obra e ligação com a COP 30

A passarela integra as obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, uma das construções prometidas para a COP 30 pela Prefeitura de Belém, que ainda não foi entregue. O projeto se estende por 5 km, da avenida Júlio César, no bairro da Marambaia, até as margens da Baía do Guajará, atravessando seis bairros da capital paraense.

Com um orçamento total de R$ 173 milhões, sendo R$ 150 milhões provenientes da Itaipu Binacional e R$ 23 milhões da Prefeitura de Belém, a obra é gerida pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). Os trabalhos começaram em julho de 2024 e tinham previsão de conclusão da primeira etapa em outubro de 2025, mas os atrasos e problemas estruturais têm levantado questões sobre a eficiência e segurança do projeto.