Ônibus com trabalhadores rurais tombou na BR-153 sem autorização da ANTT, aponta investigação
Ônibus tombado na BR-153 não tinha autorização da ANTT

Ônibus que tombou na BR-153 com trabalhadores rurais não tinha autorização da ANTT, revela investigação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Polícia Civil para acompanhar as investigações do grave acidente com um ônibus de trabalhadores rurais que resultou em sete mortos e 45 feridos na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Marília, interior de São Paulo. A delegada Renata Ono, responsável pelo caso, destacou que um auditor fiscal do órgão identificou fortes indícios de infrações trabalhistas na contratação das vítimas, incluindo a ausência de contrato formal e possível intermediação ilícita.

Irregularidades no transporte e condições precárias

O acidente ocorreu na madrugada de segunda-feira (16), no trecho entre Ocauçu e Marília. Segundo sobreviventes, o ônibus não possuía cintos de segurança e apresentava pneus carecas, farol queimado e um eixo sem um dos pneus. O motorista, Claudemir Moraes Moura, foi preso em flagrante e será investigado por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor. Ele teria retirado um pneu que estourou antes de entrar em São Paulo e decidiu seguir viagem apenas com o outro pneu do mesmo eixo, comprometendo a estabilidade do veículo.

A delegada ressaltou que, ao optar por continuar a viagem nessas condições, o condutor assumiu o risco de provocar o acidente. Além disso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que o ônibus não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fretamento interestadual, sendo a empresa responsável, do Maranhão, também alvo de investigação pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

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Vulnerabilidade dos trabalhadores e suspeitas graves

A investigação aponta para a vulnerabilidade dos trabalhadores, muitos com pouca instrução e que sequer sabiam para qual cidade estavam sendo transportados. Há suspeitas de trabalho em condições análogas à escravidão, com o grupo saindo da região norte do Maranhão com destino a Santa Catarina para a colheita de maçãs, em uma viagem de mais de 3 mil quilômetros. O MPT deve abrir um procedimento para apurar a responsabilidade da empresa ou contratante e garantir os direitos das vítimas e familiares.

Entre as vítimas fatais estão Edilson Da Silva Lima, 42 anos; Robson Rodrigues Alexandrino, 25 anos; Gonçalo Lisboa Dos Santos, 33 anos; Antônio Da Silva Nascimento, 47 anos; José Milton Ribeiro Reis, 49 anos; Raimundo Nonato Sousa da Silva, 41 anos; e Santana Barros de Oliveira, 30 anos, que morreu na tarde de terça-feira (17) após permanecer internada. Os corpos já foram encaminhados para o Maranhão para sepultamento.

Atendimento aos feridos e relatos emocionantes

Dos 45 feridos, 26 foram socorridos pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu), 12 pelo policiamento da área, seis pelo Corpo de Bombeiros e um pela ambulância da concessionária. Eles foram encaminhados para Santa Casa, Hospital das Clínicas, Unimar, Hospital Materno-Infantil e Unidades de Pronto-atendimento (UPA) de Marília. O Hemocentro de Marília registrou mais de 200 doações de sangue desde o acidente, e a Prefeitura disponibilizou a Casa de Passagem Cidadã para os sobreviventes.

José da Silva Reis, que perdeu o pai no acidente, relatou o momento de susto: "[Estava] eu e outro rapaz, meu pai estava bem atrás de mim. Eu só lembro do tempo que capotou e eu já estava do lado de fora. Quando eu abracei meu pai, ele já estava morto". Após checar o pai, ele ajudou outras vítimas, apresentando apenas ferimentos leves. Outro trabalhador, Wagner da Silva Carvalho, descreveu: "Estava dormindo. Aí, na hora, eu escutei um barulhão no pneu. Aí, aquela zoada mesmo, aí [a gente] se espantou. Aí o carro virou".

A investigação continua para apurar todas as responsabilidades, com foco nas irregularidades do veículo, na falta de autorização e nas condições de trabalho dos envolvidos.

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