Motorista é indiciado por homicídio culposo após idosa morrer arrastada por ônibus em Ponta Grossa
A Polícia Civil do Paraná finalizou nesta quarta-feira (11) o inquérito que investiga a morte de Maria Xavier dos Santos, passageira de 76 anos que faleceu após ficar com a mão presa na porta de um ônibus e ser arrastada pelo veículo em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O motorista do transporte público foi formalmente indiciado pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, com a agravante de ter sido cometido no exercício profissional.
Detalhes do trágico acidente
O caso ocorreu no dia 10 de fevereiro e foi registrado por câmeras de segurança. Conforme as investigações conduzidas pelo delegado Marício de Souza Luz, a vítima desembarcava do ônibus coletivo quando sua mão ficou presa na porta do veículo, que se fechou antes que ela conseguisse completar a descida para a calçada. O condutor então arrancou com o ônibus, arrastando a idosa, que caiu e teve a perna atingida pelo rodado do veículo.
Maria Xavier dos Santos foi socorrida ainda consciente, mas veio a falecer horas depois no hospital, vítima dos ferimentos graves sofridos no acidente. O delegado responsável pelo caso enfatizou que o motorista agiu com negligência ao não verificar adequadamente se todos os passageiros haviam desembarcado em segurança antes de dar partida no veículo.
Sistema de segurança não detectou mão presa
Um aspecto crucial do caso é que o ônibus envolvido no acidente possuía um sistema mecatrônico de segurança conhecido como "Anjo da Guarda", projetado para impedir a aceleração do veículo enquanto as portas estiverem abertas. O laudo pericial confirmou que o equipamento funcionava corretamente no momento do incidente.
Entretanto, devido à maleabilidade das borrachas da porta, o sistema não conseguiu detectar que a mão da idosa estava presa, permitindo que o motorista acelerasse. O delegado Marício de Souza Luz foi categórico ao afirmar que a confiança exclusiva no sistema eletrônico não exime os profissionais do transporte público do dever fundamental de verificação visual através dos retrovisores.
Consequências jurídicas e profissionais
O crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando cometido no exercício da profissão, está previsto no Código de Trânsito Brasileiro e pode resultar em:
- Pena de detenção de até seis anos
- Suspensão ou proibição de obter permissão ou habilitação para dirigir
- Responsabilização civil por danos materiais e morais
O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que agora avalia se formalizará a denúncia contra o motorista perante a Justiça. O nome do profissional não foi divulgado pelas autoridades, e a reportagem não conseguiu localizar sua defesa para comentários.
Posicionamento da empresa de transporte
A Viação Campos Gerais (VCG), empresa responsável pelo transporte público de Ponta Grossa, emitiu nota informando que o assunto será tratado na esfera judicial e confirmou que o motorista envolvido no acidente não faz mais parte do quadro de funcionários da companhia. A empresa não forneceu detalhes sobre as circunstâncias da saída do profissional nem sobre possíveis medidas disciplinares internas.
Este trágico caso em Ponta Grossa levanta importantes questões sobre a responsabilidade dos motoristas profissionais, a efetividade dos sistemas de segurança veicular e os protocolos de desembarque no transporte público brasileiro, especialmente quando envolvem passageiros idosos que podem necessitar de mais tempo e atenção durante as operações de entrada e saída dos veículos.



