Motorista preso em carro submerso quebra vidro traseiro para escapar em SC
Um motorista de 41 anos conseguiu escapar de um possível afogamento após seu carro cair no rio em Brusque, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O acidente ocorreu na noite de terça-feira (17), quando o veículo saiu da pista da Avenida Bepe e submergiu nas águas. Preso dentro do automóvel, o homem precisou quebrar o vidro traseiro para sair e nadar até a margem, conforme registrado em vídeo por uma testemunha.
Composição do vidro foi decisiva para o salvamento
O físico Jean Silva explicou ao g1 que a fuga bem-sucedida se deveu ao tipo de vidro utilizado no porta-malas. Enquanto o para-brisa é feito de vidro laminado, os vidros laterais e o traseiro são de vidro temperado. Este material, apesar de ser mais resistente que o vidro comum, comporta-se de forma distinta em situações de impacto.
"Ele chega a ser cinco, seis vezes mais resistente que o vidro comum e, quando quebra, fica todo estilhaçado em pedacinhos redondos, pouco cortantes, o que facilita muito a saída em caso de emergência. Então, o motorista que quebrou o vidro foi no lugar certo!", afirmou Silva.
O especialista acrescentou que a área maior do vidro traseiro também contribuiu para o sucesso da ação. Ele ressaltou que o para-brisa, por ser laminado, dificilmente se rompe da mesma maneira, sendo projetado para não se despedaçar sobre os ocupantes em acidentes.
Motorista não se lembra dos detalhes do acidente
Quando os bombeiros chegaram ao local, o condutor já estava em terra firme. Ele relatou aos socorristas que não se recorda de como o acidente ocorreu. O homem sofreu apenas ferimentos leves nas mãos e recusou ser encaminhado a um hospital. Não foi informado qual objeto ele utilizou para quebrar o vidro do carro.
O Corpo de Bombeiros orienta que, em situações similares, os ocupantes usem a estrutura do encosto de cabeça do banco para tentar quebrar os vidros. No entanto, neste caso específico, a escolha do vidro traseiro, por ser temperado, mostrou-se a mais adequada.
Vidro temperado é pensado para a segurança dos ocupantes
Segundo Adriana Castro, presidente da Federação Nacional de Inspeção Veicular (Fenive), a utilização de vidro temperado em determinadas partes dos veículos é determinada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) desde a Resolução 254/2007, hoje consolidada pela Resolução 960.
"Eles já são pensados justamente para esse quesito de segurança. São componentes desenvolvidos para assegurar a proteção do ocupante mesmo em situações de sinistro. Esses vidros são até cinco vezes mais resistentes que os convencionais. E, quando se rompem, reduzem muito o risco de cortes graves", explicou Castro.
A composição do vidro temperado, à base de areia, sódio, cálcio e alumínio, submetida a altas temperaturas, faz com que, ao quebrar, ele se fragmente em pequenos pedaços arredondados. Isso minimiza significativamente o risco de ferimentos graves, sendo considerado um vidro de segurança.
O acidente em Brusque serve como um alerta sobre a importância dos componentes de segurança veicular e das ações corretas em situações de emergência. A rápida reação do motorista, aliada às características do vidro temperado, evitou uma tragédia maior, destacando como o conhecimento técnico pode salvar vidas no trânsito.



