Motorista sem CNH e embriagado atropela fisioterapeuta em Palmas; vítima em estado crítico
Um grave acidente de trânsito ocorrido em Palmas, capital do Tocantins, deixou o fisioterapeuta Thiago Dias Camilo, de 39 anos, em estado de saúde crítico. O profissional de saúde foi vítima de uma colisão envolvendo sua motocicleta e um carro de passeio, conduzido por João Paulo Costa do Nascimento, de 28 anos, que foi preso em flagrante e posteriormente teve sua prisão convertida em preventiva pela Justiça.
Detalhes do acidente e situação da vítima
O acidente aconteceu no cruzamento da Avenida Governador José Wilson Siqueira Campos, antiga Teotônio Segurado, com a LO-21, na região sul de Palmas. O fisioterapeuta retornava para casa após cumprir um plantão no Hospital Geral de Palmas (HGP) quando sua motocicleta foi atingida pelo veículo conduzido por João Paulo. O impacto ocorreu por volta de 1h15 da madrugada do domingo, 15 de fevereiro de 2026.
Thiago Dias Camilo foi socorrido inconsciente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do próprio HGP, apresentando um quadro de traumatismo craniano grave. Amigos e colegas de trabalho iniciaram campanhas nas redes sociais solicitando doações de sangue para auxiliar no tratamento do profissional.
Irregularidades do motorista e prisão preventiva
Durante as investigações, a polícia constatou que João Paulo Costa do Nascimento não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e apresentava sinais evidentes de embriaguez no momento do acidente. Agentes encontraram latas de cerveja dentro do veículo e na residência do suspeito, além de registrarem resistência durante a abordagem policial, o que exigiu o uso de algemas.
O motorista já cumpria pena em regime de monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira desde outubro de 2025, condenado por lesão corporal pela Justiça. A desembargadora Etelvina Maria Sampaio Felipe negou um pedido de Habeas Corpus apresentado pela defesa, fundamentando a decisão na gravidade do acidente, na embriaguez do réu, na fuga do local sem prestar socorro e no histórico criminal do indivíduo, que demonstra periculosidade social.
Contradições nos relatos e defesa do suspeito
Enquanto a defesa de João Paulo, representada pela Defensoria Pública, alega que ele acionou o socorro imediatamente após o acidente, registros policiais e depoimentos de testemunhas confirmam que o condutor fugiu do local sem prestar qualquer assistência à vítima. Ele foi localizado posteriormente em um posto de combustíveis, sendo então detido pelas autoridades.
A Defensoria Pública argumenta que a manutenção da prisão preventiva é desproporcional, sustentando que o atropelamento foi um crime culposo, ou seja, não intencional. Os advogados sugeriram medidas cautelares alternativas, como a suspensão da CNH, e contestam a aplicação da tese de "dolo eventual", que pressupõe a aceitação consciente do risco de causar a morte.
Repercussão e investigações em andamento
O caso gerou forte comoção entre os profissionais de saúde da região, especialmente entre os colegas do fisioterapeuta no Hospital Geral de Palmas. A Secretaria Estadual de Saúde informou que as solicitações de doação de sangue seguem protocolos estabelecidos conforme o quadro clínico do paciente, com o objetivo de manter estoques adequados e garantir disponibilidade em caso de necessidade.
A Polícia Civil continua investigando todas as circunstâncias do acidente, enquanto o mérito do caso aguarda julgamento definitivo pelo colegiado do Tribunal de Justiça do Tocantins. A situação jurídica do suspeito permanece sob análise, com a prisão preventiva mantida devido aos graves fatores envolvidos.



