Um vídeo recentemente divulgado mostra a briga na porta de uma escola em Anápolis, a 55 km de Goiânia, que resultou na morte do adolescente Nicollas Lima Serafim, de 14 anos, no dia 20 de fevereiro de 2024. Maria Renata de Merces Rodrigues e seu filho Kaio Rodrigues Matos foram condenados pelo homicídio e por duas tentativas de homicídio, totalizando quase 70 anos de prisão.
Antecedentes do crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), as ameaças entre Kaio e uma das vítimas, um adolescente de 16 anos, começaram em agosto de 2023. Um relatório de análise do celular de Kaio, elaborado pelo Grupo de Investigação de Homicídio da Polícia Civil, transcreveu áudios de discussões ocorridas um dia antes do crime. Em uma das mensagens, o adolescente dizia: “Ele [irmão de Kaio] vai apanhar sozinho agora, mano. Eu já ‘trisquei’ a mão nele e não deu nada. Agora vou bater para estragar a cara dele, pode crer?”.
As conversas revelam que o adolescente desafiava Kaio para uma briga na porta da escola, ameaçando seu irmão mais novo. “Amanhã eu quero você lá na porta da escola, mano. Você não está pagando de doidão? [...] É melhor você subir lá, mesmo que seu irmão não vá. Um dia ele vai para a escola e eu vou pegar ele sozinho. [...] Só não leva a faca. Bora na mão”, afirmou o adolescente em áudios transcritos pela polícia.
O dia do crime
No dia 20 de fevereiro de 2024, Maria Renata e Kaio foram até a porta do Colégio Leiny Lopes, onde os jovens estudavam. Segundo o MP-GO, Kaio portava uma faca e Maria Renata, um martelo. Ela estacionou o veículo, desceu com o martelo escondido na blusa, enquanto Kaio saiu com a faca nas costas, acompanhado do irmão mais novo. A denúncia afirma que Maria Renata começou a tirar satisfação com as vítimas, momento em que os irmãos e os adolescentes entraram em luta corporal.
Maria Renata teria atingido Nicollas com o martelo na cabeça, enquanto Kaio o esfaqueou. Na sequência, Kaio também feriu outros dois adolescentes, um deles o mesmo que trocava ameaças. Após o ataque, os três fugiram no carro. Nicollas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Condenação e penas
Em júri popular, Maria Renata foi condenada a 40 anos de reclusão por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, além de corrupção de menores. Kaio recebeu 29 anos e 7 meses de prisão pelos mesmos crimes. Ambos deverão pagar indenização de R$ 150 mil à família de Nicollas e R$ 75 mil a cada um dos sobreviventes.
Reação das defesas
A defesa de Maria Renata, representada pelos advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, considerou o julgamento justo do ponto de vista processual, mas afirmou que o júri decidiu de forma contrária ao que a defesa entendia. Eles pretendem recorrer da sentença, especialmente quanto à dosimetria da pena. Já a defesa de Kaio, liderada pelo advogado Victor José, também anunciou recurso, alegando que circunstâncias relevantes não foram devidamente consideradas na fixação da pena.
Reflexão do juiz
Durante a leitura da sentença, o juiz Fernando Augusto Chacha fez uma reflexão sobre o caso: “Se vocês tivessem pensado dez segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos vocês felizes, em casa. A vítima, réus...”. A declaração destacou a importância de agir com cautela em situações de tensão.



