Estudante sofre queda perigosa de micro-ônibus em movimento na Zona Oeste de Natal
Uma jovem estudante de 20 anos, identificada como Letícia Avelino, sofreu ferimentos significativos após cair de um micro-ônibus em movimento na noite de quarta-feira, 25 de outubro, no movimentado bairro de Nazaré, localizado na Zona Oeste da capital potiguar. O incidente ocorreu por volta das 19 horas, quando a vítima estava retornando do trabalho, e foi capturado de forma nítida pelas câmeras de segurança de uma loja de celulares nas proximidades.
Momento crítico registrado em vídeo de segurança
As imagens de vigilância mostram claramente a sequência de eventos que levaram ao acidente. Letícia Avelino fez sinal para o micro-ônibus parar e, segundos após a entrada no veículo, ocorreu a queda dramática enquanto o transporte fazia uma curva com a porta ainda completamente aberta. O local exato do ocorrido foi o cruzamento entre a Avenida Jerônimo Câmara e a Rua Hidrógrafo Vital de Oliveira, uma área de intenso fluxo de veículos e pedestres.
Testemunhas que passavam pelo local imediatamente após a queda agiram com rapidez, sinalizando a via para impedir que a jovem fosse atropelada por outros veículos. O motorista do micro-ônibus permaneceu no local até a chegada dos primeiros socorros, demonstrando preocupação com o estado da passageira.
Falta de memória do momento exato da queda
Em entrevista à Inter TV Cabugi, Letícia revelou que sofre de amnésia traumática em relação aos instantes que antecederam sua queda. "Eu tenho uns flashes de memória em relação a subir no ônibus, mas não me recordo de ter passado pela roleta", explicou a estudante. "Depois disso, foi só a queda, escutei barulhos e só lembro de eu já estar no hospital".
A jovem destacou ainda as particularidades do sistema de roletas nos veículos alternativos, que segundo sua descrição são "roletas mais fracas" em comparação com as dos ônibus convencionais, o que pode dificultar a passagem quando há aglomeração de passageiros.
Atendimento médico e gravidade dos ferimentos
Após a queda, Letícia permaneceu deitada no asfalto aguardando atendimento médico especializado. Testemunhas relataram que, após mais de 30 minutos de espera sem previsão para a chegada de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a jovem acabou sendo socorrida por uma viatura do Corpo de Bombeiros e transportada para um hospital da região.
Os ferimentos exigiram intervenção médica imediata, resultando na aplicação de 15 pontos em um corte profundo na cabeça da estudante. Letícia permaneceu em observação médica durante várias horas e recebeu alta hospitalar apenas na madrugada de quinta-feira, 26 de outubro.
Questionamentos sobre responsabilidade e segurança
A estudante expressou sua frustração com a cultura de culpabilização das vítimas em acidentes envolvendo transporte alternativo. "Sempre a responsabilização é do passageiro: 'Por que o passageiro não segurou? Por que o passageiro não entrou?'", questionou Letícia. "E na verdade as pessoas que devem ser responsabilizadas nunca são, que são os motoristas que devem ter preparo para isso e, principalmente, os donos dos alternativos".
Ela alertou ainda para o perigo adicional criado pela porta aberta durante a manobra de retorno, situação que "poderia ter ocasionado outras pessoas terem caído" caso houvesse mais passageiros próximos à saída do veículo.
Família denuncia falta de suporte da empresa responsável
Deise Kelly, irmã de Letícia, revelou que a empresa responsável pela linha de micro-ônibus não estabeleceu qualquer contato para prestar assistência ou apoio à jovem após o grave acidente. "Até agora a gente está esperando suporte da empresa", afirmou Deise. "E o único contato que eu tenho é do próprio motorista, porque a gente teve que trocar o contrato para eu dizer a ele como que ela estava. Mas desde então nenhum retorno da empresa responsável pelo alternativo".
A Inter TV Cabugi realizou tentativas de contato com a empresa operadora do micro-ônibus envolvido no acidente, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. A falta de posicionamento da companhia de transporte aumenta as preocupações sobre protocolos de segurança e responsabilidade pós-acidente no setor de transporte alternativo da capital potiguar.



