Irmã de idoso morto em acidente em Piracicaba lamenta: 'Tinha alguém que amava ele'
Irmã de idoso morto em acidente em Piracicaba lamenta perda

Irmã de idoso morto em acidente em Piracicaba expressa dor e revolta

Vanderleia Bento Alves, irmã do idoso de 62 anos que faleceu após ser atropelado por um veículo envolvido em uma colisão entre carros em Piracicaba, no interior de São Paulo, manifestou profunda tristeza e indignação com a perda do familiar. Em entrevista emocionada, ela destacou que, apesar das circunstâncias de vida, Robertinho, como era conhecido, tinha pessoas que o amavam.

Detalhes do trágico acidente

O incidente ocorreu na manhã de segunda-feira (9), no cruzamento das ruas José Pinto de Almeida e São José, no bairro Cidade Alta. Conforme relatos da Polícia Militar, um carro preto trafegava em alta velocidade pela Rua São José e desrespeitou a sinalização de parada obrigatória, colidindo com outro veículo que circulava pela via preferencial. O impacto fez com que um dos automóveis girasse no asfalto e atingisse Robertinho, que atravessava a rua, além de subir na calçada e atropelar duas mulheres que aguardavam em um ponto de ônibus.

As imagens de câmeras de segurança capturaram o momento exato da tragédia, mostrando a violência do choque. Robertinho foi internado em estado grave e intubado no Hospital Fornecedores de Cana, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. As duas pedestres e uma das motoristas envolvidas sofreram lesões leves e foram encaminhadas para atendimento médico.

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Vida e memória de Robertinho

Vanderleia descreveu o irmão como uma pessoa querida pelos comerciantes locais, que trabalhava com materiais recicláveis e enfrentava desafios pessoais, incluindo o consumo de bebidas alcoólicas. Ela relembrou que Robertinho teve uma infância difícil, marcada pelo abandono materno, mas sempre manteve laços afetivos. "Não era um cachorro de rua, não era. Tinha uma família, tinha alguém que amava, por mais que ele vivesse na rua", afirmou, com voz embargada.

A dona de casa contou que só tomou conhecimento da morte do irmão na manhã de quarta-feira (11), ao assistir ao vídeo do acidente nas redes sociais. "Eu me contive vendo o vídeo. O jeito que o carro veio, bateu e jogou ele longe. Parecia um boneco de pano voando. [Uma cena] muito forte, muito", relatou, expressando revolta pela imprudência no trânsito.

Contexto familiar e investigações

Dos cinco irmãos da família, incluindo um gêmeo de Robertinho, apenas Vanderleia e ele permaneciam vivos. "E agora a família só ficou eu, só restou eu. Embora eu tenha meus filhos, meu neto, mas minha família biológica, da qual minha mãe abandonou, era ele e eu fiquei sem meu irmão", desabafou. Ela destacou que, mesmo com ele vivendo nas ruas, os dois mantinham contato regular e compartilhavam momentos, como lanches pagos por ela.

Inicialmente registrado como lesão corporal culposa, o caso foi reclassificado para homicídio culposo na direção de veículo automotor e está sob investigação do 2º Distrito Policial de Piracicaba. A Polícia Civil confirmou que a vítima era uma pessoa em situação de rua.

Preocupações com a segurança viária

Moradores e empresários da região alertam que o cruzamento é historicamente perigoso, com múltiplos acidentes registrados anteriormente. Keila Rocha, comerciante local, relatou temor e tentativas de instalar barreiras na esquina. "Os acidentes sempre acabam prejudicando alguém. Envolve a parede aqui da loja, acidentes meio graves, como essas cenas de hoje. É terrível, é chocante", disse.

A Prefeitura de Piracicaba emitiu nota informando que estudos técnicos já foram realizados no local pela equipe de engenharia de tráfego, considerando a sinalização adequada e em conformidade com a legislação. A administração municipal afirmou que não há indicação para instalação de semáforo ou lombada, mas que novas avaliações poderão ocorrer se houver mudanças no comportamento do tráfego ou registros de incidentes.

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