Aumento alarmante de fugas após acidentes na região de Campinas e Piracicaba
O número de casos em que motoristas provocaram acidentes e fugiram sem prestar socorro às vítimas registrou um crescimento expressivo de 23% entre janeiro e dezembro de 2025 nas cinco maiores cidades das regiões de Campinas e Piracicaba, no interior de São Paulo. Os dados preocupantes, obtidos através do Sistema de Polícia Judiciária (SPJ) da Polícia Civil pela EPTV, afiliada da TV Globo, por meio da Lei de Acesso à Informação, revelam uma tendência ascendente que preocupa autoridades e especialistas em trânsito.
Dados detalhados das ocorrências
Campinas, Piracicaba, Limeira, Indaiatuba e Sumaré somaram, juntas, 47 casos de omissão de socorro no período analisado de 2025. Em comparação, no mesmo intervalo de 2024, foram registrados 38 ocorrências, evidenciando um aumento significativo. Entre as cinco cidades, Indaiatuba se destacou com o maior crescimento, dobrando o número de casos: de 7 em 2024 para 14 em 2025.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), omitir socorro em caso de acidente é considerado crime, com pena prevista de detenção que varia de seis meses a um ano. O advogado especialista em trânsito André Gomes ressalta que a fuga do local do acidente por si só já configura uma infração grave. "Às vezes, a pessoa fica assustada com a ocorrência do acidente e pensa que, se ela fugir, não vai ser detectada, não vai ser encontrada. E hoje em dia, com a quantidade de câmeras e pessoas que podem estar pelo local e anotarem a placa dele, pode ser levantado rapidamente quem é essa pessoa", explica Gomes.
Relato impactante de vítima em Campinas
Um dos 23 casos registrados em Campinas ocorreu em agosto de 2025, no bairro Cambuí, envolvendo o universitário Walter Augusto Guimarães, de 20 anos. Ele foi atropelado na Rua Emílio Ribas enquanto estava na calçada de um bar com amigos. De acordo com relatos, o motorista deu ré e atingiu o rapaz, que caiu e bateu a cabeça com força. O condutor fugiu imediatamente, sem prestar qualquer assistência.
"Sinceramente, não lembro de como aconteceu, nem nada. Só lembro de estar na calçada com meus amigos, todo mundo conversando. E do nada, em um estalar de dedos, estar na ambulância, sem entender o que aconteceu, com corte na cabeça e sangrando bastante", descreve Walter, que sofreu traumatismo craniano. A vítima precisou receber 15 pontos na cabeça e enfrentou a formação de um coágulo, necessitando de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para recuperação.
Walter relembra o momento do acidente: "A gente estava tudo na calçada, veio um carro, invadiu ela, acabou pegando o pessoal [...] A hora que ele viu que ele atingiu alguém, em vez dele parar, se preocupar, aí sim que ele foi embora". Sobre este caso específico, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a motorista e o passageiro do veículo foram identificados, ouvidos pelas autoridades, e o processo foi encaminhado à Justiça para as devidas providências legais.
Implicações legais e conscientização
André Gomes enfatiza que, além da omissão de socorro, se a vítima sofrer lesões graves ou vier a falecer em decorrência dos ferimentos, o infrator poderá enfrentar responsabilizações ainda mais severas. A combinação de fatores como o aumento no número de casos e os relatos pessoais das vítimas evidencia a necessidade urgente de campanhas de conscientização e reforço na fiscalização do trânsito.
Os dados alarmantes servem como um alerta para a sociedade sobre a importância do comportamento responsável ao volante e da assistência imediata em situações de acidente, visando reduzir não apenas as estatísticas, mas também o sofrimento das pessoas afetadas.



