Ex-marido de biomédica é indiciado por homicídio culposo após acidente fatal em Divinópolis
Ex-marido indiciado por morte de biomédica em acidente de moto

Ex-marido de biomédica é indiciado por homicídio culposo após acidente fatal em Divinópolis

A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou, nesta quinta-feira (22), que o ex-marido da biomédica Simone Sombra foi formalmente indiciado pela prática de homicídio culposo no trânsito. O trágico acidente ocorreu no dia 21 de dezembro de 2025, na cidade de Divinópolis, região Centro-Oeste do estado, e resultou na morte da profissional da saúde.

Da suspeita de feminicídio à conclusão do inquérito

Inicialmente, as autoridades policiais instauraram o procedimento para apurar uma possível hipótese de feminicídio. Isso porque familiares da vítima informaram à polícia sobre a existência de medidas protetivas de urgência, já deferidas pela Justiça, contra o investigado. Essas medidas proibiam expressamente qualquer tipo de aproximação ou contato com Simone Sombra.

Todas as linhas investigativas foram minuciosamente analisadas ao longo do processo de apuração, conforme destacou a corporação. Após a coleta de provas e depoimentos, ficou comprovado que, no dia do ocorrido, Simone era passageira da motocicleta conduzida pelo ex-companheiro.

Reconstituição dos fatos e laudos decisivos

Segundo o relatório final da Polícia Civil, o condutor estava sob nítida influência de bebida alcoólica quando perdeu o controle do veículo. O descontrole aconteceu ao final de uma terceira faixa de rolamento, provocando uma queda violenta.

Com o impacto, ambos foram arremessados, e o capacete da biomédica foi arrancado, fazendo com que ela fosse projetada em direção a uma valeta. O ex-marido permaneceu no local do acidente, conforme atestou o socorrista que prestou os primeiros atendimentos, e não foram encontrados indícios de participação de terceiros.

Os laudos médico-legais foram considerados decisivos para o esclarecimento do caso. A necropsia realizada apontou que a causa da morte foi um traumatismo contuso crânio-encefálico de grande gravidade, que evoluiu para um choque refratário.

O desenrolar do atendimento e o registro policial

Conforme informações repassadas pela filha do ex-casal à polícia, foi o próprio piloto da motocicleta quem ligou para familiares para comunicar o acidente. Em conversa telefônica, ele teria dito que perdeu o controle do veículo, o que provocou a queda e os ferimentos em Simone.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou que a vítima estava consciente, porém em estado confuso. Ela apresentava traumatismo cranioencefálico, além de ferimentos nos braços e nas pernas. Simone foi rapidamente encaminhada ao Complexo de Saúde São João de Deus, onde permaneceu internada, mas veio a falecer no dia seguinte ao acidente.

O Samu informou que não há registro, em seus prontuários, sobre a existência de uma segunda vítima no local. A Polícia Militar também afirmou não ter sido comunicada para atender a ocorrência no momento exato do acidente.

O boletim de ocorrência, registrado pela filha no dia seguinte, foi classificado sob a categoria "outras ações de defesa social", utilizada quando o fato relatado não se enquadra, inicialmente, em um crime específico.

Desfecho processual e legado pessoal

O ex-companheiro foi intimado, compareceu à delegacia e prestou seu depoimento às autoridades. A Polícia Civil esclareceu que não houve pedido de prisão preventiva, por ausência dos requisitos legais necessários para tal medida. Com a conclusão das investigações, o inquérito foi encaminhado à Justiça Criminal para as próximas etapas processuais.

Simone Sombra trabalhava como biomédica em Divinópolis e atuava na área há vários anos, construindo uma carreira dedicada à saúde. Ela deixa três filhos e um neto, marcando sua ausência na família e na comunidade profissional. Seu corpo foi sepultado no dia 22 de dezembro, no Cemitério Parque da Colina.