Estudantes arriscam vida ao atravessar ponte de madeira danificada na BR-222
Um vídeo gravado na segunda-feira (2) por Danilo Marques, estudante de psicologia, revela a situação precária da ponte de madeira que liga as cidades de Batalha e Piripiri, na BR-222, no Piauí. Nas imagens, é possível ver tábuas quebradas e aparentemente podres, com parte da via completamente interditada para veículos.
Medo diário no trajeto para a faculdade
O registro mostra outros estudantes descendo do ônibus e atravessando a ponte a pé, devido à impossibilidade de passagem de veículos maiores. "Todos os dias, nós arriscamos as nossas vidas passando por pontes com essa estrutura. Temos medo da ponte quebrar com nós dentro do ônibus. É algo inacreditável ter uma ponte de madeira em pleno século 21", desabafa Danilo no vídeo.
O jovem explicou ao g1 que os estudantes saem de Esperantina para Piripiri para frequentar a faculdade. A rota alternativa à ponte aumenta o percurso em aproximadamente 80 quilômetros, passando por Piracuruca. "No trecho das pontes, ganhamos tempo porque é um atalho. Com a situação dela quebrada, estamos indo por Piracuruca, que aumentou o percurso. Mas, a gente não sabe como está a situação da base e o estado das madeiras dessa ponte e ficamos com medo de passar por ela", relatou o estudante.
Incidente anterior e interdição total
No último sábado (28), um caminhão ficou preso na mesma ponte após parte da madeira ceder durante a passagem. Desde então, a Polícia Rodoviária Federal e a Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) interditou completamente a estrada para reparos.
De acordo com o Dnit, a BR-222 possui cinco trechos de pontes de madeira, que originalmente faziam parte de uma rodovia estadual e posteriormente foram federalizadas. "Essas estruturas já se encontram em processo de avaliação técnica para substituição por pontes de concreto", informou o órgão em nota.
Furtos de peças e plano de recuperação
O Dnit também relatou que já foram registradas ocorrências de furtos de peças das estruturas das pontes de madeira. Atualmente, o 2º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) está realizando o levantamento quantitativo da madeira necessária para a recuperação da ponte, com o objetivo de restabelecer o tráfego no local o mais rápido possível.
A situação expõe a vulnerabilidade da infraestrutura em trechos rodoviários do interior do Piauí, colocando em risco a segurança de estudantes e outros usuários da BR-222 diariamente.



