CNL explica sistema de monitoramento que define interdições na Mogi-Bertioga
A Rodovia Mogi-Bertioga já foi interditada duas vezes desde o início do ano por medidas de segurança decorrentes das chuvas intensas na região. A Concessionária Novo Litoral (CNL), responsável pela administração da via, conta com um sistema de monitoramento pluviométrico que possibilita o bloqueio da rodovia nos momentos em que a precipitação oferece riscos aos usuários.
Sistema de monitoramento 24 horas
O monitoramento ocorre ininterruptamente através de cinco pluviômetros instalados ao longo da rodovia. Esses equipamentos avaliam as condições de segurança e estabilidade das encostas da via, fornecendo dados essenciais para a tomada de decisões.
Critérios técnicos para interdição
De acordo com Guilherme Fernandez, geólogo da CNL, as intervenções são baseadas em uma combinação de dois fatores principais:
- Chuva acumulada nos últimos três dias
- Intensidade da chuva em momentos críticos
"Não basta só ter o volume acumulado de chuva, porque o volume em conjunto com a intensidade momentânea é o que pode causar eventuais problemas. A junção dessas duas informações que vão gerar os fatores de risco que temos pontuados no nosso sistema", explica o especialista.
Coeficiente de Precipitação Crítica
Segundo Augusto Schein, diretor de engenharia e operações da CNL, essas duas variáveis determinam o nível do Coeficiente de Precipitação Crítica (CPC), que indica quando são necessárias alterações no fluxo da rodovia devido às condições climáticas.
"Assim que as condições arrefecerem [voltarem ao normal], libera a operação da via. No nosso procedimento também existe a inspeção com uma equipe especializada, que já foi treinada para isso. Avaliam o que está acontecendo, o que aconteceu naquele momento e depois fazem a nossa liberação segura para os nossos usuários", complementou o diretor. "Nenhum usuário vai ser colocado em risco, se tivermos algum evento de alerta. Isso é muito importante."
Melhorias na segurança da rodovia
A CNL afirma que a Rodovia Mogi-Bertioga está mais segura atualmente quando comparada a um ano atrás. "As vezes tem inúmeros riachos naquela região que precisam ser canalizados para que na rodovia eles cheguem e vão direto para a drenagem. O que já fizemos? A gente disciplinou, encaminhou essas águas em inúmeros pontos", apontou Augusto Schein.
Durante 2025, quando a concessionária assumiu a administração da rodovia, foram realizadas diversas ações para minimizar o impacto da natureza na via:
- Preparação da operação verão durante o inverno
- Desobstrução e reparo das drenagens da rodovia
- Remoção de rochas soltas na floresta que estavam na projeção da rodovia
"É melhor a gente tirar de maneira ordenada e disciplinada do que esperar que a natureza faça", explicou o diretor sobre o mapeamento completo da região da serra e a remoção preventiva das rochas.
Interdições ocorridas em 2026
Este ano já ocorreram duas interdições significativas na Mogi-Bertioga:
Primeira interdição (4 de janeiro): A via permaneceu interditada por segurança devido ao alto volume de chuvas que causou um deslizamento de terra no km 89. A decisão foi tomada após o volume de chuva na região atingir quase 200 milímetros em 72 horas, índice acima do limite considerado seguro.
Segunda interdição (19 de janeiro): A concessionária registrou aproximadamente 190 milímetros em 72 horas, levando ao novo bloqueio da rodovia como medida preventiva.
O sistema de monitoramento e os critérios técnicos estabelecidos pela CNL demonstram uma abordagem proativa para garantir a segurança dos usuários da Mogi-Bertioga durante períodos de chuvas intensas, equilibrando a necessidade de mobilidade com a prevenção de acidentes em condições climáticas adversas.