Caminhoneiros assumem manutenção da BR-174 para evitar acidentes em Roraima
Caminhoneiros tapam buracos na BR-174 para evitar acidentes

Caminhoneiros assumem papel do poder público na manutenção da BR-174

Em uma iniciativa inusitada e necessária, caminhoneiros que trafegam diariamente pela BR-174 decidiram assumir a responsabilidade de tapar buracos no trecho que atravessa a Terra Indígena Waimiri Atroari, na divisa entre Roraima e o Amazonas. A rodovia, que é a única ligação terrestre do estado com o restante do Brasil, apresenta condições precárias que colocam em risco a segurança dos motoristas e a integridade dos veículos.

Ação preventiva contra acidentes e prejuízos

A ação, iniciada em 2025, tem como objetivo principal reduzir os perigos imediatos enquanto não há uma manutenção adequada por parte das autoridades competentes. Os motoristas utilizam materiais que já carregam em seus veículos ou encontram às margens da estrada, como pedaços de asfalto solto, restos de construção e barro, para realizar os reparos improvisados.

Edmilson Souza, de 44 anos, líder do movimento Amigos do Volante e caminhoneiro com dez anos de experiência, é uma das vozes mais ativas nessa iniciativa. Ele percorre a rota entre Manaus e Boa Vista três vezes ao dia e relata que é comum encontrar veículos quebrados e acidentes ao longo do trajeto. "Todo dia tem carro quebrado, gente caída que se acidentou. Então, para evitar isso e até para nós caminhoneiros mesmo não termos problemas, prejuízo, a gente está fazendo por conta própria", explicou Souza.

Condições críticas e impactos financeiros

A BR-174 está marcada por buracos que se transformam em poças de lama durante o período chuvoso, além de trechos onde a vegetação alta invade a pista, aumentando o risco de colisões. Segundo Edmilson, os prejuízos são frequentes e significativos:

  • Quebra de para-brisas, com custos que podem chegar a R$ 3 mil
  • Danos em molas, pneus e sistemas de frenagem
  • Multas aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal, independentemente das condições da via

"O prejuízo é material, dinheiro, um para-brisa, por exemplo, esse meu aqui é R$ 3 mil. Eu quebrei ele em dezembro [na estrada], quando foi em janeiro quebrou de novo", detalhou o caminhoneiro, destacando a repetição dos danos devido às más condições da pista.

Falta de resposta oficial e importância estratégica

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foi procurado para esclarecer se há previsão de manutenção na rodovia, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. Enquanto isso, os caminhoneiros seguem com sua ação comunitária, alertando que a falta de manutenção oficial, somada ao intenso fluxo de veículos pesados e ao período chuvoso, faz com que novos buracos surjam rapidamente.

A BR-174 é considerada estratégica para Roraima, sendo o único acesso terrestre para transporte de mercadorias essenciais como alimentos, combustível, grãos e insumos que abastecem o estado. A iniciativa dos caminhoneiros, portanto, vai além da simples manutenção da via - representa um esforço vital para manter o fluxo de abastecimento e a segurança de todos que dependem dessa importante rodovia.