Dispositivo de emergência falha no combate à prática perigosa na cidade paulista
Motoristas de ônibus do sistema de transporte público de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, manifestam insatisfação com a ineficácia do botão de pânico instalado nas cabines dos veículos para coibir as chamadas "rabeiras". O dispositivo, posicionado próximo aos condutores, deveria acionar alertas ao Centro de Controle Operacional, mobilizando equipes da RP Mobi e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para o local em situações de emergência.
Reclamações sobre a falta de resposta
Contudo, segundo relatos dos profissionais, o mecanismo tem sido ignorado na prática. "Os motoristas acionam o botão do pânico para que cheguem a GCM, a RP Mobi, para darem um apoio, e não tem esse apoio. Semana passada, teve um caso que o motorista ficou parado, e não teve êxito, não foi ninguém para socorrer o motorista lá", afirma Marcelo da Silva Leão, chefe do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de Ribeirão Preto. Ele destaca que, mesmo com múltiplos acionamentos durante ocorrências envolvendo indivíduos agarrados aos veículos, nenhuma equipe de segurança comparece.
A prefeitura, ao ser questionada, reconheceu que vem combatendo a prática e mencionou o botão de emergência como uma das medidas, mas ressaltou, sem fornecer detalhes específicos, que existe um tempo de resposta estabelecido. A administração municipal também reforçou o número 153 da Guarda Civil para denúncias, embora motoristas aleguem que essa alternativa não resolve a urgência das situações.
Riscos e casos recorrentes
Os episódios de "rabeira" – onde pessoas, frequentemente jovens, se agarram a ônibus em movimento usando bicicletas, patinetes ou skates – são comuns em diversos bairros da cidade. Recentemente, câmeras de segurança flagraram adolescentes caindo no asfalto durante a prática no bairro Ipiranga, evidenciando os perigos envolvidos. Carlos Eduardo Hashisaka, diretor de fiscalização da RP Mobi, lista locais com maior incidência, como Avenida Dom Pedro, Cristo Redentor, Parque São Sebastião, Jardim Juliana e Vila Tibério.
Leão alerta que os riscos se estendem além dos praticantes, afetando passageiros e motoristas. "Motorista corre risco, de repente, de ser agredido no local, porque não tem apoio nenhum. Em todos os casos, eles [quem faz 'rabeira'] se revoltam, jogam pedra, ficam xingando o motorista. Pode, de repente, uma pedra pegar em um usuário também", explica. Ele acrescenta que o impacto psicológico tem levado alguns profissionais a se afastarem do trabalho, devido ao estresse constante e à falta de resolução efetiva.
Lei municipal e penalidades
Para enfrentar o problema, Ribeirão Preto implementou uma lei específica contra a prática de 'rabeira', aprovada pela Câmara Municipal em novembro de 2023, sancionada em junho de 2025 e regulamentada em setembro do mesmo ano. A legislação prevê:
- Multa de R$ 518,28 para infratores flagrados, baseada em 14 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp);
- Apreensão do equipamento utilizado, como bicicletas, patinetes ou skates;
- Comunicação ao Conselho Tutelar em casos de reincidência por menores de idade;
- Dobro do valor da multa para reincidentes dentro de um ano;
- Ações educativas pela Secretaria da Educação e RP Mobi para conscientização.
O objetivo da norma é prevenir acidentes e alertar crianças e adolescentes sobre os perigos, mas a efetividade depende da fiscalização, que, segundo os motoristas, tem sido insuficiente devido à falta de resposta ao botão de pânico. Enquanto isso, a cidade continua lidando com um problema que coloca vidas em risco e desafia a segurança no transporte público.



