Vídeo mostra atropelamento que matou filha de diplomatas em Ipanema
Atropelamento mata filha de diplomatas em Ipanema

Um vídeo registrou o momento em que uma van de entregas invadiu a calçada da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no sábado (17). O acidente resultou na morte de Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, filha de dois diplomatas brasileiros, e deixou outras duas pessoas feridas. O motorista prestou depoimento e foi liberado, enquanto a van passa por perícia para esclarecer as causas do ocorrido.

O que aconteceu

Por volta das 17h de sábado, uma van branca trafegava pela Rua Visconde de Pirajá. Ao cruzar com a Rua Vinicius de Moraes, o veículo perdeu o controle, subiu a calçada e derrubou um poste de sinalização de trânsito. O acidente atingiu pelo menos três pessoas que estavam no local. De acordo com informações preliminares, o sinal estava aberto para os carros no momento do ocorrido.

Quem era Mariana Tanaka

Mariana Tanaka Abdul Hak tinha 20 anos, era formada em Administração e havia acabado de se mudar para o Rio de Janeiro para iniciar um novo emprego em uma multinacional. "O Rio era a escolha dela", afirmou o pai, o embaixador Ibrahim Abdul Hak Neto, assessor especial da Presidência da República para temas de Paz e Segurança. A mãe de Mariana, a diplomata Ana Patrícia Neves Abdul Hak, cônsul-adjunta do Brasil em Buenos Aires, estava com a filha no momento do acidente e ficou ferida, mas já recebeu alta do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. A terceira vítima, Sérgio da Costa Luiz, também ficou ferido e deixou a unidade de saúde apesar da recomendação médica de internação. Mariana chegou ao hospital em estado grave, foi submetida a uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no domingo (18), vítima de traumatismo craniano. O corpo será enterrado na quinta-feira (22), em São Paulo, onde reside a maior parte da família.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Antes de embarcar para São Paulo na segunda-feira (19), o pai emocionado falou sobre a filha: "Ela era uma fonte de alegria, de amor, de juventude. Aquela pessoa que, quando você sabe que está com você, está em casa, traz a música, a dança, as piadas, a alegria, as provocações. Era um anjo que Deus me deu. Eu e minha mulher vivemos com esse anjo durante 20 anos. A forma de ver isso para nós é agradecer pelo que houve nesses 20 anos com ela".

O que disse o motorista

O motorista prestou depoimento na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon) e foi liberado em seguida. Segundo seu relato, ele trabalhava há apenas dez dias na empresa de entregas e era a terceira vez que dirigia a van. Ele afirmou que a direção travou quando tentava mudar de faixa e que tentou frear ao perceber o problema. O motorista negou o uso de celular no momento do acidente e disse não ter ingerido bebida alcoólica. Ele permaneceu no local até a chegada do socorro e afirmou que trafegava a cerca de 60 km/h, velocidade permitida na via. A Polícia Civil confirmou que os testes realizados descartaram o uso de álcool ou drogas e que o motorista colaborou com as autoridades.

Problemas mecânicos conhecidos

Um detalhe do depoimento chamou a atenção: o motorista declarou que não gostava de conduzir aquele veículo justamente por causa de problemas mecânicos recorrentes, já conhecidos pelos funcionários da empresa. Essa versão foi reforçada pela ajudante que estava na van no momento do acidente. Segundo o depoimento, ela desceu do veículo bastante nervosa e disse aos policiais militares presentes: "Essas vans dão problema toda hora." A van está cadastrada pela empresa Arval Brasil Ltda, com sede em Curitiba, e era utilizada para entregas da plataforma Mercado Livre. O veículo foi levado para a Delegacia do Leblon e passará por perícia técnica.

Em nota, o Mercado Livre informou que "lamenta profundamente o acidente" e "recebe com enorme pesar a confirmação do falecimento de uma das vítimas". A empresa afirmou que está apurando os fatos junto ao parceiro logístico responsável pela operação do veículo e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Repercussão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as redes sociais para lamentar a morte de Mariana e revelou ter ligado pessoalmente para o pai dela. "Como pai, não consigo imaginar angústia maior do que ver partir uma filha amada", escreveu Lula, que pediu ao embaixador que transmitisse condolências à esposa e a toda a família.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O que ainda não se sabe

A perícia na van será fundamental para confirmar ou refutar a versão do motorista sobre a falha mecânica. Até o momento, a investigação não indiciou ninguém, e a Polícia Civil não informou prazo para a conclusão do inquérito.