Uma operação da Polícia Militar na noite de segunda-feira (4) deixou um suspeito morto e outro preso na Rua Claudia Muzio, em Cidade Ademar, Zona Sul de São Paulo. De acordo com informações preliminares, agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e da Força Tática realizaram disparos contra um veículo Chevrolet Montana vermelho, após uma perseguição.
Detalhes da ocorrência
Segundo a versão oficial, os policiais patrulhavam a região quando avistaram o automóvel com dois ocupantes. O motorista teria acelerado ao cruzar com a viatura e feito uma conversão brusca, iniciando o acompanhamento. Durante a ação, os PMs efetuaram ao menos oito tiros em direção ao carro. Paulo Henrique Alves do Nascimento, de 20 anos, que estava no banco do passageiro, foi atingido por quatro disparos na cabeça, mão direita, ombro e axila esquerdos. Ele foi socorrido ao Pronto Socorro do Hospital Pedreira, mas não resistiu aos ferimentos.
Versão da defesa
A advogada dos suspeitos, Kauane Conceição dos Santos, contesta a narrativa policial. Em entrevista, ela afirmou que Paulo estava desarmado e já havia se rendido, colocando as mãos no capô do veículo. "Não tinha porque matar eles daquela forma", declarou. Segundo ela, o outro suspeito, Jonatas Bezerra Cavalcanti, de 35 anos, também se entregou, deitando-se no chão. A defesa nega que houvesse qualquer arma dentro do carro e sustenta que não houve troca de tiros, apenas disparos da PM.
Materiais apreendidos
A Polícia Militar informou ter encontrado no automóvel uma mochila com mais de 2.300 porções de drogas, incluindo maconha, cocaína, crack e lança-perfume, além de uma pistola 9 mm com numeração raspada, atribuída a Paulo. O material foi encaminhado ao 98º Distrito Policial, no Jardim Miriam. Jonatas foi preso e passará por audiência de custódia na terça-feira (5).
Investigação em andamento
Três policiais entregaram suas armas (fuzil e pistolas) para perícia. Parte dos agentes utilizava câmeras corporais, cujas imagens serão cedidas à Polícia Civil para investigação. O caso foi registrado inicialmente como resistência, morte decorrente de intervenção policial e porte ilegal de arma de fogo. Devido à morte em ação de PMs, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) também apura se houve excesso por parte dos agentes ou se a reação foi legítima.



