Airbus e Air France condenadas por tragédia do voo AF447 após 17 anos
Airbus e Air France condenadas por tragédia do voo AF447

Em uma decisão histórica, a Justiça francesa considerou a Airbus e a Air France culpadas por homicídio culposo no acidente do voo AF447, ocorrido em 1º de junho de 2009, que resultou na morte de 228 pessoas. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (21), quase 17 anos após o pior desastre aéreo da França. Daniele Lamy, presidente da associação de familiares das vítimas e mãe de uma das vítimas, declarou que 'a justiça foi absolutamente feita'. Ela perdeu um filho na tragédia.

Decisão judicial e multas simbólicas

O tribunal de apelação de Paris impôs a multa máxima de 225.000 euros (cerca de 1,3 milhão de reais) para cada uma das empresas, atendendo ao pedido do Ministério Público. As multas foram consideradas simbólicas por familiares, pois representam uma fração do faturamento das companhias. No entanto, os grupos de vítimas veem a condenação como um reconhecimento do sofrimento enfrentado ao longo de quase duas décadas.

Em 2023, um tribunal de instância inferior havia absolvido as duas empresas, argumentando que, embora tivessem cometido 'imprudências' e 'negligências', não havia 'nexo causal seguro' com o acidente. O Ministério Público recorreu da decisão e, em novembro do ano passado, pediu a condenação por homicídios culposos. Durante o julgamento de oito semanas, a promotoria sustentou que as falhas das duas empresas 'contribuíram, de forma certa, para que o acidente aéreo acontecesse'.

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Defesa das empresas e recursos futuros

Airbus e Air France negaram repetidamente as acusações, atribuindo o acidente a decisões equivocadas dos pilotos em uma situação de emergência. A Airbus foi acusada de subestimar a gravidade dos problemas nas sondas Pitot, sensores que medem a velocidade, e de não alertar as companhias aéreas com rapidez suficiente. Já a Air France foi acusada de não oferecer treinamento adequado aos pilotos para lidar com o congelamento das sondas e de não informar corretamente as tripulações sobre os riscos.

Advogados franceses já preveem novos recursos ao mais alto tribunal do país, o que pode prolongar o caso por mais alguns anos. O promotor Rodolphe Juy-Birmann afirmou que a condenação 'lançará desonra e descrédito sobre as duas empresas e deve soar como uma advertência'.

O acidente do voo AF447

O voo AF447, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009, com 228 pessoas de 33 nacionalidades a bordo. As caixas-pretas foram recuperadas dois anos depois, após uma busca no fundo do oceano. Em 2012, investigadores da BEA (órgão francês de investigação de acidentes aéreos) concluíram que a tripulação levou o avião a uma situação de estol — perda de sustentação — após reagir de forma incorreta ao congelamento das sondas Pitot. As sondas congelaram enquanto o Airbus A330 voava em grande altitude, em uma área de forte instabilidade climática próxima à Linha do Equador.

A tragédia do voo AF447 é considerada um marco na história da aviação comercial, levando a mudanças significativas nos procedimentos de segurança e treinamento de pilotos em todo o mundo.

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