Uma tragédia de grandes proporções abalou o sertão de Alagoas na manhã de terça-feira, 3 de setembro, quando um ônibus que transportava romeiros capotou em um trecho perigoso da rodovia, resultando em 16 mortes e dezenas de feridos. O acidente ocorreu na AL-220, no município de São José da Tapera, região conhecida pela sua religiosidade popular e agora marcada por um luto coletivo.
O que se sabe sobre a tragédia na Curva da Morte
De acordo com informações oficiais do Governo de Alagoas, o veículo transportava aproximadamente 60 ocupantes no momento do capotamento. Entre as vítimas fatais, estão cinco homens, sete mulheres e quatro crianças, totalizando 16 mortos. A maioria dos óbitos ocorreu no local do acidente, enquanto uma vítima faleceu horas depois em um hospital da região.
Detalhes do acidente e localização
O acidente aconteceu em um trecho da AL-220 conhecido popularmente como Curva da Morte ou Curva do S, no Distrito Caboclo, município de São José da Tapera. Testemunhas e bombeiros relataram que o motorista perdeu o controle da direção, saiu da pista e capotou, desencadeando uma cena de caos e desespero entre os passageiros.
Identificação das vítimas fatais
As autoridades divulgaram os nomes das 16 pessoas que perderam a vida na tragédia:
- Adelmo José de Oliveira, 52 anos
- Claudiana Maria da Silva Bastos, 45 anos
- Cleusa Simão Lima, 63 anos
- Cícero Barbosa de Lima, 71 anos
- Edivania da Silva Lima, 39 anos
- Francisco Izidoro da Silva, 71 anos
- Jamilly da Silva Bastos, 5 anos
- José Caio de Oliveira Souza, 15 anos
- José Welliton Barbosa Louriano, 39 anos
- Josefa Madalena de Alcântara, 67 anos
- Luiz Miguel Alcântara, 4 anos
- Maria do Socorro Santos, 73 anos
- Maria Gorete Rodrigues Izidoro da Silva, 38 anos
- Maria Manuella de Souza Oliveira, 5 anos
- Vandete Maria da Silva, 60 anos
- Sebastião Vieira de Morais Neto, 55 anos
Contexto da viagem e irregularidades
O grupo de passageiros era composto por romeiros que retornavam da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, realizada em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará. Este evento religioso, que começou no sábado, 29 de agosto, e terminou na segunda-feira, 2 de setembro, é considerado uma das maiores manifestações de fé do Nordeste brasileiro, atraindo milhares de devotos anualmente.
Questionamentos sobre a regularidade do transporte
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) emitiu um comunicado afirmando que o ônibus envolvido no acidente operava de forma completamente irregular. Segundo a agência reguladora, o veículo não possuía habilitação para transporte de passageiros, estava sem Certificado de Segurança Veicular (CSV), sem seguro de responsabilidade civil vigente e sem Licença de Viagem (LV).
Entretanto, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino Filho, contestou essas informações em declaração ao portal g1, afirmando que o veículo teria sido contratado através de processo licitatório para realizar a viagem dos romeiros. Esta contradição entre as versões oficiais deve ser investigada pelas autoridades competentes.
Situação dos sobreviventes e atendimento médico
O acidente resultou em um número significativo de feridos, com 20 pacientes sendo encaminhados para a rede estadual de saúde de Alagoas. A distribuição dos atendimentos ocorreu da seguinte forma:
- Quinze pacientes foram atendidos no Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia, sendo que um já recebeu alta médica.
- Uma criança com múltiplas fraturas foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, onde permanece internada na área vermelha, em estado grave.
- O Hospital de Emergência do Agreste recebeu cinco pacientes, dos quais um deixou a unidade antes do atendimento para acompanhar o velório de familiares, e quatro seguem internados em estado grave.
Até a noite de terça-feira, 18 sobreviventes ainda permaneciam internados em diferentes unidades de saúde, alguns em condições consideradas críticas pelos médicos.
Investigações em andamento
A Polícia Civil de Alagoas já instaurou inquérito para apurar as causas exatas do acidente. As investigações devem focar em vários aspectos, incluindo as condições do veículo, a habilitação do motorista, as condições da via no momento do ocorrido e possíveis falhas humanas ou mecânicas que possam ter contribuído para a tragédia.
O que ainda precisa ser esclarecido
As autoridades seguem trabalhando para responder a várias questões pendentes:
- Quais foram as causas específicas que levaram o motorista a perder o controle do veículo?
- Quem será responsabilizado legalmente pelo acidente, considerando as alegações de irregularidade no transporte?
- Qual é o estado de saúde atual dos sobreviventes e quais são as perspectivas de recuperação?
- Haverá medidas preventivas implementadas na AL-220 para evitar novas tragédias?
A tragédia na Curva da Morte deixou uma comunidade inteira em luto e levantou importantes questionamentos sobre a segurança no transporte de passageiros, especialmente em viagens religiosas que movimentam milhares de pessoas no Nordeste brasileiro. Enquanto as famílias choram seus entes queridos, as investigações seguem seu curso na busca por respostas e justiça.